Curta nossa página


Movie star

Vorcaro faz remake de Os Intocáveis e outros clássicos do cinema

Publicado

Autor/Imagem: capa
Wenceslau Araújo - Foto Editoria de Artes/IA

Quanto mais eu ouço os políticos e banqueiros atuais, mais eu gosto dos antigos. Não eram santos, mas tinham algumas virtudes, entre elas a de pelo menos tentar esconder os negócios escusos e pouco republicanos. Os de hoje escancaram, acham normal ser corruptos e ameaçam com processos os que os criticam pelos malfeitos produzidos enquanto seus eleitores dormem. Daniel Vorcaro, o homem a ser batido por 11 entre dez excelências brasileiras, conquistou Deus e o Diabo na terra dos inocentes.

Com seu canto de serpente peçonhenta, ele comprou, vendeu e traficou influência. Com sua cabeleira vaselinada, ele cantou e encantou a gregos, baianos, carecas e religiosos terrivelmente fanáticos. Recolhido à escuridão da desgraça, Vorcaro passou de rei a bobo da corte com poderes de fazer muita gente chorar. De posse de muitos tantos e de vários entretantos, ele agora ameaça emudecer dois terços do Congresso Nacional, literalmente abrir os olhos da Justiça, calar meio Supremo Tribunal Federal e amedrontar boa parte da república de bananas podres.

Embora seja um cidadão consciente da limitação de seus direitos, mas emérito cumpridor de deveres, eu não me conformo com o fato de não ter sido lembrado por Daniel Vorcaro quando ele, como um verdadeiro Robin Hood, decidiu incluir na divisão de sua incalculável fortuna nomes de pobres como os irmãozinhos Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Hugo Motta, Cláudio Castro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira, entre muitos outros políticos citados em propostas de delação premiada rejeitadas pela Justiça por falta de provas.

Nessa altura do conflito aberto no STF, acho que é besteira recorrer à Justiça. Melhor esperar a poeira baixar e, se tiver coragem, tentar encontrar dólares e euros escondidos sob a grama da Esplanada dos Ministérios. Por enquanto, perco a fala e fecho os olhos só para imaginar o que ainda pode acontecer com o meu Brasil varonil. Sem entrar no mérito da ladroagem explícita, prefiro avaliar Daniel Vorcaro com o grande movie star do Planalto Central.

Aliás, depois de Dark Horse, talvez seja o caso de alguém sugerir ao Midas da bandidagem que também produza outros filmes de sucesso garantido na Paulicéia desvairada, na orla carioca e no Cerrado ardente. Quem sabe o autobiográfico O Poderoso Chefão, 11 Homens e Nenhuma SentençaO Rei XandãoEra Uma Vez no SupremoCrepúsculo das TogasFogo Contra Fogo, Xandão e Mendonça na Última CruzadaProcurando GonetMendonça veste Master e, por fim, Os Intocáveis, caso o roteirista Edson Fachin decida por um final feliz para os vilões Moraes e Mendonça.

Justificando a afirmação de que prefiro os políticos e banqueiros de ontem e de anteontem, tenho saudade, por exemplo, dos escândalos do Maluf e do maior escândalo protagonizado pelo ex-presidente Itamar Franco. Para quem não se lembra, em 1994 ele foi fotografado na Marquês de Sapucaí ao lado da modelo Lilian Ramos, que, embora usasse uma camiseta relativamente longa, não portava calcinha. Daí, o que se viu quase rachou o governo. Racha por racha, nada parecido com o racha cabeludo que, deliberadamente, Vorcaro vem gerando nas cabeças pensantes e calvas do Supremo Tribunal Federal.

…………

Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.