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Corpo e memória

A poesia atravessa o silêncio da pedra

Publicado

Autor/Imagem:
Guilherme de Queiroz C. da Rocha - Francisco Filippino

o poema é necessário

porque esquecemos
corremos e nos tornamos
autômatos de um sistema
anômalo sintético
em que pedra deixa de ser

amorfa-se em portuguesa cubicular
auricular se pendurada para ornar
ou chip de celular

sim, poema se presta a rimar
pois para remar contra a maré
é preciso cadência
latência de peixe que bebe
água doce e salgada

de outro poema nasceu este
falava sobre a triste singeleza
de uma faca ao cortar um

um filete frio de salmão
sobre pedra de mármore
lapidada lápide do corpo
o que é triste pode ser agudo
fundo fundo mas suave

o delicado deslizar na carne
a morte nos lembra
a poesia nos lembra

atravessa o silêncio
da pedra no meio do caminho
às vezes é só pedra mesmo

há um corpo necessário
ponto de contato com o inominável
a espinha de peixe na garganta
o gume da lâmina no rosa
que degusta e custa

aqui, jaz o corpo
mantra de linguagem
para dar matriz à memória
reeducar pela pedra de carvão
deixá-la no meio do caminho
pois às vezes é só

………………….

Guilherme, carioca nascido em 1986, encontrou na poesia sua expressão desde a adolescência. Formado em Direito pela UFRJ e em Psicologia pela Estácio, lançou em 2024 o livro “Esta leitura é gratuita” pela Editora Patuá. Desde então, mantém no Instagram o perfil @guiesuaspoesias, dedicado à poesia independente.

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