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Fórmula 1

Antonelli sai do fundo do grid, vence em Monza e leva torcida ao delírio

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Reprodução/X

O Autódromo Nacional de Monza viveu neste domingo, 6, uma daquelas tardes destinadas a ocupar lugar especial na história da Fórmula 1. Diante de uma torcida em êxtase, o italiano Kimi Antonelli, da Mercedes, saiu da 19ª posição do grid para conquistar uma vitória espetacular no Grande Prêmio da Itália.

Antonelli cruzou a linha de chegada à frente do companheiro George Russell, completando uma dobradinha da Mercedes. Max Verstappen, da Red Bull, ficou com a terceira posição. Lando Norris e Oscar Piastri, ambos da McLaren, completaram os cinco primeiros.

A façanha ganhou contornos históricos. Aos 20 anos, Antonelli tornou-se o primeiro italiano a vencer o GP da Itália desde Ludovico Scarfiotti, em 1966 — um jejum de 60 anos. E fez isso justamente em Monza, o chamado Templo da Velocidade.

O roteiro parecia improvável antes mesmo da largada. Líder do campeonato, Antonelli havia sido jogado para o fundo do grid em razão de uma punição decorrente da troca de componentes da unidade de potência. Pierre Gasly, da Alpine, partiu da pole, tendo Russell ao seu lado. Mas Monza rapidamente mostrou que não seria uma corrida convencional.

Gasly conservou a liderança nos primeiros metros, mas Russell assumiu a ponta ainda na primeira volta. Atrás deles, as Ferrari protagonizaram momentos de tensão, até que Charles Leclerc sofreu um forte acidente na Parabolica na terceira volta, provocando bandeira vermelha. O monegasco deixou o carro sem maiores consequências, mas as barreiras precisaram de reparos.

Na relargada começou efetivamente o espetáculo de Antonelli. O italiano passou a devorar adversários. Em menos de 20 voltas, aquele carro que havia partido da penúltima fila já aparecia na liderança. Uma combinação de velocidade, ultrapassagens e estratégia colocou a Mercedes número 12 definitivamente na disputa pela vitória.

Antonelli ainda precisou fazer uma parada adicional. Um período de Virtual Safety Car ajudou sua estratégia e, com pneus mais novos, ele iniciou nova escalada até alcançar novamente Russell.

As voltas finais transformaram o GP em uma disputa particular entre as duas Mercedes. Russell tentava preservar pneus muito mais desgastados, enquanto Antonelli diminuía rapidamente a diferença. Os dois chegaram a travar uma batalha roda a roda, com o jovem italiano escapando para a brita em uma primeira tentativa.

A três voltas da bandeirada, porém, veio o golpe definitivo. Antonelli conseguiu superar Russell e disparou rumo à vitória.

Quando recebeu a bandeira quadriculada, Monza explodiu. A Itália finalmente voltava a celebrar um de seus pilotos no lugar mais alto do pódio de sua corrida de casa.

Se houve festa italiana, ela não veio da Ferrari. Leclerc abandonou após o acidente nas primeiras voltas, enquanto Lewis Hamilton terminou em sexto, atrás das duas Mercedes, de Verstappen e das duas McLaren.

Pierre Gasly, que havia produzido a grande surpresa do sábado ao conquistar a primeira pole position de sua carreira na Fórmula 1, não conseguiu transformar a posição de honra em pódio. O francês da Alpine terminou em sétimo.

Arvid Lindblad, Franco Colapinto e Yuki Tsunoda completaram a zona de pontuação.

Para o brasileiro Gabriel Bortoleto, a corrida terminou com gosto de “quase”. O piloto da Audi recebeu a bandeirada em 11º lugar, imediatamente atrás de Tsunoda e, portanto, fora da zona de pontuação por apenas uma posição.

Bortoleto enfrentou dificuldades principalmente nas largadas. Partindo da décima posição, perdeu terreno, chegou a cair para 18º após a segunda largada e precisou iniciar uma corrida de recuperação.

O brasileiro conseguiu avançar novamente pelo pelotão e chegou ao 11º posto na volta 17, posição em que terminaria a prova. Apesar de não marcar pontos, mostrou capacidade de recuperação em uma corrida extremamente movimentada.

A vitória do jvem piloto italiano também teve enorme peso na disputa pelo Mundial. Antonelli chegou a 267 pontos, contra 201 de Russell, ampliando para 66 pontos a vantagem sobre o companheiro e principal perseguidor. Hamilton aparece na sequência, com 191.

Mais do que os números, porém, Monza produziu uma imagem que dificilmente será esquecida nesta temporada: um jovem italiano, de apenas 20 anos, largando praticamente do fim do pelotão e atravessando o grid inteiro para vencer em casa.

Sessenta anos depois de Scarfiotti, a Itália voltou a ter um italiano como rei de Monza.

A Fórmula 1 segue agora para a próxima etapa, o GP da Espanha, no novo circuito de rua de Madri, já no próximo fim de semana.

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