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Corrida ao Buriti

Pandora fecha urnas para Arruda e Celina dispara em pesquisa

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto de Arquivo

A Caixa de Pandora voltou a assombrar José Roberto Arruda (PSD) e, desta vez, o efeito parece ter chegado às urnas antes mesmo de elas serem abertas. Pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisa (Igape), divulgada neste domingo, 6, mostra a governadora Celina Leão (PP) disparando na corrida pelo Palácio do Buriti, enquanto o ex-governador enfrenta simultaneamente o desgaste eleitoral e a batalha para manter sua candidatura de pé.

No cenário estimulado, Celina aparece com 36,5% das intenções de voto, contra 20,7% de Arruda. A diferença entre os dois primeiros colocados chega a expressivos 15,8 pontos percentuais. Leandro Grass (PT) ocupa a terceira posição, com 13,8%.

Bem mais atrás aparecem Paula Belmonte (PSDB), com 5,2%; Ricardo Cappelli (PSB), com 4,7%; e Kiko Caputo (Novo), com 3,1%. Elisson (Agir) e Professora Samara Mineiro (UP) têm 1,5% cada, Professor Robson (PSTU) registra 0,9% e Expedito Mendonça (PCO), 0,8%. Outros 11,3% não souberam ou não quiseram responder.

Os números ganham significado político especial porque o trabalho de campo atravessou justamente a semana em que a situação jurídica de Arruda sofreu novo e duro revés.

Na quinta-feira, 3, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal decidiu, por unanimidade, indeferir o registro da candidatura do ex-governador. O placar foi de 5 votos a 0. A defesa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral e Arruda pode continuar em campanha enquanto a questão estiver pendente de julgamento.

É aí que a fotografia do Igape precisa ser observada com atenção. A pesquisa começou em 31 de agosto, três dias antes da decisão do TRE-DF, e terminou em 5 de setembro, dois dias depois. Isso significa que parte dos 2 mil entrevistados respondeu antes de Arruda ter o registro indeferido e outra parte quando a notícia já circulava. O levantamento, portanto, não permite atribuir toda a diferença à decisão judicial, mas oferece uma primeira fotografia eleitoral de uma semana que mudou radicalmente o ambiente da campanha.

Fantasma da Pandora
Para Arruda, o problema vai além de uma decisão judicial isolada. O episódio ressuscita perante o eleitor uma história que o acompanha desde a Operação Caixa de Pandora e que voltou ao centro do debate justamente quando o ex-governador tentava retornar ao Palácio do Buriti depois de anos afastado das urnas.

O TRE-DF entendeu que permanecem os efeitos das condenações que sustentam sua inelegibilidade. Arruda contesta essa interpretação e aposta no TSE para reverter o quadro. A disputa jurídica, portanto, continua. Politicamente, porém, o relógio eleitoral não espera os tribunais.

E os primeiros números depois da mudança de ambiente são desfavoráveis ao candidato do PSD.

Arruda, o rejeitado
Há outro sinal amarelo, de tonalidade quase vermelha, para a campanha de Arruda. No quesito rejeição, ele aparece à frente dos principais adversários.

Segundo o Igape, 18,5% dizem não votar em Arruda, enquanto Celina apresenta rejeição de 15,6% e Leandro Grass, de 7,7%. Outros 53,7% não souberam dizer ou não opinaram nesse quesito.

A combinação entre queda relativa nas intenções de voto, elevada rejeição e insegurança jurídica transforma o recurso ao TSE em algo maior do que uma simples batalha de advogados. Para Arruda, trata-se também de uma corrida contra o calendário.

Celina Leão, por sua vez, encontra uma avenida eleitoral que até poucas semanas atrás parecia muito mais estreita.

Com 36,5%, a governadora tem hoje praticamente a soma das intenções de voto de Arruda e Grass, que juntos alcançam 34,5%. Se considerados apenas os entrevistados que indicaram algum candidato e redistribuídos proporcionalmente os 11,3% que não souberam responder, uma simulação matemática coloca Celina em 41,1%, Arruda em 23,3% e Grass em 15,6%. Não se trata, contudo, de projeção oficial de votos válidos.

A vantagem também muda a natureza da campanha. Até recentemente, Celina e Arruda protagonizavam uma disputa muito mais apertada. Agora, a governadora passa a trabalhar para consolidar a dianteira, enquanto Arruda precisa lutar em duas frentes: recuperar terreno entre os eleitores e convencer a Justiça Eleitoral de que pode permanecer na urna.

Grass, por sua vez, observa a guerra entre os dois primeiros tentando transformar os 13,8% em passaporte para uma eventual segunda etapa da disputa. Paula Belmonte, Cappelli e Kiko Caputo continuam buscando espaço para romper a polarização.

Apesar da confortável dianteira de Celina, seria precipitado decretar encerrada a eleição. Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos, a governadora tem apenas 11,5%. Arruda aparece com 6,2%; Grass, com 3,7%; Paula Belmonte, 2,5%; e Cappelli, 2,3%. Nada menos que 70,6% não souberam responder ou não opinaram.

Esse número revela um eleitorado ainda pouco cristalizado e deixa espaço para mudanças ao longo das próximas semanas.

Mas a fotografia deste domingo é inequívoca, com Celina Leão ganhando terreno e abrindo 15,8 pontos sobre José Roberto Arruda. O ex-governador, que entrou na campanha apostando na força de seu recall eleitoral e no desejo de voltar ao Buriti, vê novamente a Caixa de Pandora atravessar seu caminho. Desta vez, entretanto, Pandora não bate apenas às portas dos tribunais. Bate também às portas das urnas.

A pesquisa Igape ouviu 2 mil eleitores entre 31 de agosto e 5 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela TV Atual, afiliada da Record News, e registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-07879/2026.

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