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Botafogo põe água no chope do Palmeiras e entrega liderança a arquirrival

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Reprodução/X

O Botafogo não conseguiu vencer, mas prestou neste domingo, 6, um serviço daqueles ao seu maior rival. No Nilton Santos, o Glorioso segurou o Palmeiras em 0 a 0, colocou água no chope alviverde e permitiu que o Flamengo assumisse definitivamente a liderança do Campeonato Brasileiro.

O Rubro-Negro havia feito sua parte algumas horas antes. Venceu o Remo por 1 a 0, no Mangueirão, com gol de Samuel Lino, e chegou aos 54 pontos. Restava secar o Palmeiras. A torcida funcionou: o time paulista precisava ganhar no Rio para recuperar a ponta, mas parou na resistência botafoguense e ficou com 53.

O resultado também representa o segundo tropeço consecutivo do Palmeiras. Na rodada anterior, o time de Abel Ferreira havia empatado em 1 a 1 com o Mirassol. Desta vez, embora tenha tido maior posse de bola e criado oportunidades, esbarrou principalmente no goleiro Gabriel Batista, um dos grandes personagens da noite no Nilton Santos.

O jogo começou com o Botafogo mostrando que não pretendia apenas se defender. Logo aos três minutos, Álvaro Montoro finalizou e obrigou Carlos Miguel a trabalhar.

A melhor oportunidade alvinegra veio aos 27. Danilo Santos puxou o contra-ataque e Montoro encontrou Lucas Villalba livre. Cara a cara com Carlos Miguel, o atacante tocou para fora e desperdiçou a chance mais clara do primeiro tempo.

Aos poucos, porém, o Palmeiras passou a controlar a bola e empurrou o Botafogo para trás. Andreas Pereira obrigou Gabriel Batista a fazer boa defesa, enquanto Maurício também ameaçou antes do intervalo.

O primeiro tempo ainda teve uma reclamação forte dos palmeirenses. Aos 24 minutos, Marçal derrubou Andreas Pereira próximo da área quando o meia avançava em direção ao gol. O árbitro mostrou apenas o cartão amarelo, provocando protestos de Abel Ferreira e do banco alviverde.

Na etapa final, a necessidade de vitória fez o Palmeiras aumentar a pressão. Flaco López tentou de fora da área, Maurício apareceu em posição perigosa e o Botafogo passou a encontrar dificuldades para deixar seu campo.

Foi então que apareceu Gabriel Batista. O goleiro alvinegro, formado justamente nas categorias de base do Flamengo, tornou-se personagem involuntário da troca de líder do campeonato. Sua principal intervenção ocorreu numa cabeçada forte de Maurício, defendida quando o Palmeiras parecia próximo de abrir o placar. Ao todo, Gabriel Batista terminou a partida com cinco defesas.

O Botafogo ainda tentou responder nos contra-ataques e, nos minutos finais, Cristian Medina arriscou de fora da área. O Palmeiras continuou buscando o gol que lhe devolveria a liderança, mas não encontrou espaço.

Nos acréscimos, Alexander Barboza, ex-Botafogo e muito vaiado pela torcida alvinegra, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Marlon Freitas, outro ex-jogador do Glorioso agora vestindo verde, também foi hostilizado durante a partida.

Quando veio o apito final, o placar continuava zerado. Ruim para quem precisava vencer; valioso para quem precisava interromper uma sequência negativa — e excelente para quem assistia de longe, vestindo vermelho e preto.

O empate deixou o Palmeiras com 53 pontos, um atrás do Flamengo, que fecha a 26ª rodada na liderança com 54. O Verdão havia começado a rodada na primeira colocação e viu a vantagem desaparecer depois dos empates consecutivos diante de Mirassol e Botafogo.

Para o Botafogo, o ponto também tem importância. O Glorioso chegou aos 31 pontos, ocupa a 13ª colocação e abriu seis de vantagem sobre o primeiro integrante da zona de rebaixamento. Além disso, interrompeu a sequência de derrotas e conseguiu respirar depois de passar mais de um mês sem vencer pelo Brasileiro.

O futebol, como sempre, tratou de produzir sua ironia: foi justamente o Botafogo quem ajudou o Flamengo a chegar ao topo.

E, depois de 26 rodadas, a briga pelo título ganha um novo roteiro. O Flamengo passa a olhar todos de cima. O Palmeiras, que comandava a tabela, agora terá de correr atrás.

A diferença é mínima, de apenas um ponto. Mas a liderança, a partir deste domingo, mudou de endereço: saiu de São Paulo e foi para a Gávea.

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