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Curva da estrada

A volta

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Foi doloroso deixar-te na curva da estrada de volta,
enquanto o coração ficava preso nos dias que vivemos.
Nunca havia provado tamanha doçura,
um tempo de luz onde cada instante era eterno,
um paraíso breve que meus olhos jamais esquecerão,
mesmo que o tempo me dê cem anos além.

Teus beijos ainda são bálsamo quente sobre minha alma sedenta,
teus carinhos, orvalho que desperta jardins adormecidos.

Todas as noites eu suplicava ao céu por alguém assim,
e o universo, em sua generosidade surpreendente,
colocou-te em meu caminho como resposta viva.
Conhecer-te foi renascer.
Eu me via mulher morta, sem pulso, sem horizonte,
incapaz de sonhar ou voar.

Hoje, depois de ti, o sangue corre mais forte,
quero viver com fome, com fogo, com inteira entrega,
de preferência entrelaçada em teus braços,
do primeiro raio de sol até a última estrela.

Ao teu lado descobri o verdadeiro sabor da vida:
compartilhar risos ao amanhecer,
tecer sonhos sob o manto da noite,
ser refúgio e porto seguro.

Quero ser o vento que afasta tuas tristezas,
a chuva que lava antigas decepções,
o mel que cura cada cicatriz aberta,
o bálsamo que acalma o coração que ainda sangra.

Mas sei que só poderei entrar
no jardim secreto da tua alma
se me permitires cruzar a porta.

Então eu entro descalça,
com amor paciente e sem pressa,
para plantar flores onde hoje há espinhos,
e transformar feridas em constelações.

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