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Romaria contra PT

Caminho das urnas na Bahia leva a João Roma

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João Zisman - Foto de Arquivo

A política baiana começou a produzir uma fotografia que durante muito tempo pareceu improvável. João Roma entrou de verdade na disputa pelo Senado e, ao se aproximar de Jaques Wagner, colocou sob risco algo maior do que uma cadeira: a possibilidade de o PT eleger, de uma só vez, dois dos principais personagens do ciclo político que domina a Bahia desde 2006.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira, 9, mostra Rui Costa na liderança da corrida pelo Senado, com 26%, seguido por Jaques Wagner, com 19%, João Roma, com 17%, e Angelo Coronel, com 15%. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, Roma já aparece tecnicamente empatado com Wagner.

Para o ex-ministro da Cidadania, a pesquisa muda o tamanho da candidatura. Roma deixa de ser apenas o representante de um campo político que tenta crescer na Bahia e passa a disputar concretamente uma das duas vagas ao Senado, justamente contra um dos nomes que melhor simbolizam a longa hegemonia petista no estado.

Não é pouca coisa.

Jaques Wagner foi o homem que, em 2006, rompeu um ciclo político que parecia consolidado e abriu caminho para uma sequência de vitórias do PT. Vieram sua reeleição, os dois mandatos de Rui Costa e, depois, a eleição de Jerônimo Rodrigues. São duas décadas em que o partido construiu uma estrutura política difícil de enfrentar e ainda mais difícil de desmontar.

João Roma aparece agora exatamente nesse ponto da história.

A candidatura do PL ganha relevância porque uma eventual vitória de Roma não representaria simplesmente a eleição de um senador de oposição. Ela impediria a dobradinha Rui Costa-Jaques Wagner e atingiria diretamente a simbologia de continuidade que o PT tenta preservar. Rui e Wagner carregam, cada um à sua maneira, a história desse período de domínio político.

Roma, portanto, não precisa derrotar toda a estrutura petista para produzir uma ruptura. Basta chegar à frente de Wagner.

O movimento ganha ainda mais peso porque a eleição baiana começa a apresentar sinais de competitividade também na disputa pelo governo. Jerônimo Rodrigues e ACM Neto aparecem próximos, mostrando que a eleição de 2026 não caminha com a previsibilidade de outros momentos.

O PT continua forte, tem estrutura, lideranças conhecidas e Lula como seu principal ativo político na Bahia. Seria precipitado falar em fim de ciclo como fato consumado. O que mudou é outra coisa: pela primeira vez em muito tempo, a continuidade já não parece automática.

E João Roma talvez seja hoje a expressão mais clara dessa mudança.

Se mantiver o crescimento e transformar o empate técnico em ultrapassagem, poderá fazer algo que até poucos meses atrás parecia bastante improvável: tirar do Senado justamente o homem que inaugurou, vinte anos antes, a era petista na Bahia.

A política gosta dessas ironias.

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