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Maradona

Don Diego, um rei

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Autor/Imagem:
Eduardo Cesario-Martínez - Foto Irene Araújo

Já falei aqui que uma vez a minha esposa me perguntou qual havia sido o jogador de que mais gostei. Respondi que foi o inesquecível Mendonça, do Botafogo. Por mais que eu ainda estime o Mendonça, além de qualquer outro, não há como não reconhecer que o Maradona foi o maior dos craques que eu vi.

O Diego, para muitos, especialmente os argentinos, é o maior jogador de futebol da história. E não vou ser eu a colocar lenha na fogueira para dizer que o Pelé foi melhor. Pode ter sido, pois também é um dos grandes gênios dos gramados. No entanto, até mesmo o rei do futebol é contestado por aqui, pois não são poucos os que afirmam que o Garrincha foi muito melhor.

Se o Maradona merece ou não o título de rei do futebol, não posso afirmar. Mas sei que ele, assim como Napoleão, tomou a coroa e se coroou! Ali mesmo ele poderia ter repetido as palavras do Muhammad Ali, na época ainda Cassius Clay, logo após derrotar o praticamente imbatível Sonny Liston e conquistar seu primeiro título de campeão mundial dos pesos pesados: “Eu sou o maior!!!”, “Eu sou o mais bonito!!!” Provavelmente, até aqueles que discordassem não teriam voz naqueles tempos em que o gênio argentino bailava pelos campos mundo afora. Don Diego era o maior!!! Don Diego era mesmo o mais bonito!!!

Na realidade, nem sei como é que as pessoas ou os ditos especialistas fazem esses cálculos de quem foi o maior de todos os tempos. Como avaliar isso? Pelas conquistas? Se fôssemos apenas levar isso em conta, o Pelé seria mesmo o rei do futebol. Contudo, por mais genial que ele tenha sido, e realmente o foi, não há como negar que ele foi um privilegiado também em relação às verdadeiras lendas que o acompanharam: Pepe, Coutinho, Zito, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto Torres (o Capita), Clodoaldo… A lista é imensa!

Agora tente você buscar os craques, realmente craques, que jogaram com o Maradona. Tentei puxar pela lembrança e consegui apontar apenas um grande craque: Careca. Sim, o Careca ou, então, Antônio, como o próprio Maradona o chamava. Não se pode contestar as qualidades técnicas do Careca, que entrou para os anais futebolísticos como um dos grandes. Entretanto, provavelmente ele foi o melhor jogador de futebol que dividiu as mesmas cores com o Dieguito. Há, portanto, um óbvio abismo entre os companheiros do craque argentino e os do inesquecível rei do futebol.

Não estou aqui para puxar sardinha para um ou outro jogador. Todavia, creio que é um disparate não reconhecer a genialidade desse argentino contestador, que não abaixava a cabeça nem para os dirigentes, que sempre foi dionisíaco, aprontava mil e um dentro e fora das quatro linhas. Lembro que ele entrava em campo e fazia aquelas embaixadinhas incríveis na frente de milhares de torcedores, a bola jogada ao céu pelo ombro direito, depois pelo esquerdo. Eu sempre soube fazer embaixadinhas, digo até que tenho certa habilidade com a bola, bem acima da maioria. É verdade que eu faço embaixadinhas e alguns malabarismos no aconchego do meu jardim, longe de olhares curiosos.

O Maradona dava uma amostra do que sabia logo de cara, assim que pisava no gramado. Assim, ele já avisava a todos presentes: “Eu sou o maior!!!” “Eu sou o mais bonito!!!” E ai daquele que ousasse duvidar.

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Eduardo Cesario-Martínez é autor do livro ’57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho’ (Vencedor do Prêmio Literário Clarice Lispector – 2025 na categoria livro de contos).

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