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Rei Midas

A ambição não tem limites

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Autor/Imagem:
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles - Foto Francisco Filipino

Meu pai nunca me dizia que uma coisa estava errada ou certa, ele sempre me contava uma história para que eu mesma tirasse minhas conclusões. Um dia, me contou a história do Rei Midas.

Rei Midas já era um homem muito rico, rei, né? Mas Midas não estava satisfeito, fazia de tudo para angariar mais fundos e, assim, ficar cada dia mais rico. Nem tinha ideia da fortuna, de tão rico que era. Mas a ambição não tinha limites, e ele fazia de tudo para ficar cada vez mais e mais rico.

Não sei como, se foi um mago ou um mágico que lhe deu um dom: tudo que ele tocasse com as mãos, iria virar ouro. Ele ficou o homem mais feliz do mundo, pois pensou que ia ter muito, muito dinheiro.

Ao chegar no castelo, Midas já foi realizando seu desejo. Tudo que suas mãos esbarravam virava ouro instantaneamente. Isto, no começo, era festa para ele, motivo de muitas risadas, mas ele começou a se aborrecer: pegava uma fruta para comer, a fruta virava ouro, ia vestir uma roupa, a roupa virava ouro.

Começou, então, a precisar de um pajem para comer, tomar banho, se trocar. Ficou aborrecido, mas não tinha como voltar atrás.

Sua filhinha, de apenas 5 anos, era uma menina muito mimosa, carinhosa e educada. O pai a venerava. Ele evitava tocar na filha, porém, em uma manhã ensolarada, a menina brincava alegremente no jardim, correndo atrás das borboletas, ele se aproximou, a menina correu para os seus braços. Midas, sem se lembrar, afagou a menina junto ao peito, com força, tamanha a saudade que estava em abraçar a filha.

Esta foi se calando, enrijecendo e, quando ele se deu conta, ela tinha virado uma estátua de ouro maciço. Ele pôs-se a chorar e se lamentar: “Pobre rei sou eu. O mais miserável dos miseráveis.”

Até hoje, fico a pensar como pessoas, às vezes, têm posses e são miseráveis. Não têm paz, não têm amigos sinceros. O que vale tanta riqueza, se a ambição não tem limites, quanto mais têm, mais querem?

Eternos miseráveis!

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