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O mundo

A CASA

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque a casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque pinico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na Rua dos Bobos, número zero
(Vinícius de Moraes – Toquinho)

À primeira vista, uma canção infantil, onde se brinca com a imaginação dos pequenos. Afinal, crianças constroem castelos do nada, uma nuvem no céu pode tanto ser uma espaçonave quanto um feroz dragão. Depende de em qual mundo a criança está situada durante seu folguedo…

Sim… quando pequenos, conseguimos imaginar mil maravilhas. Tudo ao nosso redor é mágico. O impossível não existe, pois nossa imaginação torna tudo tangível ao nosso redor. O belo faz parte do imaginário. Certo, por vezes tememos o bicho papão, pois ainda não conhecemos a maldade real do mundo, que vem disfarçada de benesses…

Numa brincadeira de roda tanto podemos ser a princesa quanto a bruxa má, sem que tenhamos que mudar nossa índole. Afinal, tudo não passa de brincadeira, onde tudo é real e nada realmente existe. Quer dizer, existe em nossa imaginação… os perigos que enfrentamos enquanto tentamos escapar do feitiço da bruxa são reais naquele momento. Mas é uma realidade que não dá medo, pois os monstros que enfrentamos são de mentirinha… e no final das contas, de maldade não tem nada… são vilões bonzinhos…

Sim, as crianças tem o dom de tornar o mundo cor-de-rosa, com o poder de seu riso franco, de seu olhar perspicaz… ele veem a beleza onde os adultos somente percebem sombras… porque sua visão ainda não foi embaçada pela luta pela vida. Bom seria se permanecêssemos crianças eternamente…

De fato, acredito piamente que somos crianças. Ainda estamos no estágio onde necessitamos aprender sobre tudo aquilo que está ao nosso redor. Por vezes, a angustia nos domina… e nem sempre encontramos uma explicação plausível para isso. Necessitamos do colo materno, do conselho paterno… mas por motivos mil nos afastamos daqueles que nos auxiliaram em nossos primeiros passos. E muitas vezes só entendemos a falta que estes nos fazem quando já partiram para o outro plano. Mágoas, sempre temos guardadas por aqueles que caminham ao nosso lado. E muitas vezes, por picuinhas, deixamos de lado pessoas que foram importantes em nossa vida…

Somos crianças que cresceram fisicamente. Mas, como dizia o grande poeta Erasmo Carlos, quando enfrentamos algum problema da vida, “sou uma criança, não entendo nada”… sim… muitas vezes clamamos em silêncio por ajuda divina. Necessitamos de ajuda para nos levantar quando tropeçamos nos obstáculos da vida… mas a mão materna, o apoio paterno, por vezes não é mais uma opção, ao menos para nós. Porque agora somos nós que temos que ser fortes e manter o mundo encantado de nossos petizes, como nossos pais fizeram por nós, torcendo para que estes aprendam, através de seus folguedos, a melhor maneira de enfrentar o mundo hostil que um dia terão que encarar…

E que a casa sem teto e sem chão não seja, de forma alguma, algo que devam temer. Que seja um palácio encantado onde, mais que uma rede, tenham nuvens coloridas para seu repouso infantil… e que seus sonhos os elevem até os céus, onde com suas vozes angelicais nos façam sonhar novamente e nos permitam voltar a acreditar no mundo… acreditar que o Amor é possível…

O mundo pertence ao pequeninos. Sem paredes, sem muros, sem nenhuma demarcação de limites, seja qual for a Natureza. Essa é a Casa… ela nada tem e tudo possui, pois é construída com muito Amor. E o Amor é a maior riqueza que podemos desejar para o nosso coração….

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