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Simbolismo

A Catedral

Publicado

Autor/Imagem:
Alphonsus de Guimaraens - Foto Francisco Filipino

Entre brumas, ao longe, surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu risonho,
Toda branca de sol.

E o sino canta em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a bênção de Jesus.

E o sino clama em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”

Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a lua a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu tristonho,
Toda branca de luar.

E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”

O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino geme em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”

…………………………..

Alphonsus de Guimaraens, nome artístico de Afonso Henriques de Lima Barreto, foi um poeta brasileiro, considerado o maior representante do Simbolismo no Brasil. A sua obra, marcada por um profundo lirismo, misticismo e uma intensa exploração da subjetividade, aborda temas como a morte, o amor idealizado, a infância perdida e a busca pelo transcendente. A sua poesia é caracterizada por uma linguagem musical, repleta de símbolos e imagens etéreas, que evocam um universo onírico e espiritual.

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