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Gente...

A cidade não é apenas concreto

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Hannerz sempre me faz pensar na cidade como uma grande trama de relações.

Porque uma cidade não é apenas prédio, trânsito e semáforo.

É gente.

É encontro.

É conflito.

É silêncio.

É comércio.

É desigualdade.

É gente correndo para trabalhar enquanto outra pessoa dorme na calçada.

É o restaurante sofisticado a poucos metros de alguém que não sabe onde fará sua próxima refeição.

A cidade revela coisas que preferimos não enxergar.

Talvez por isso gostemos tanto de determinados espaços urbanos: eles nos permitem imaginar que todos vivem aproximadamente da mesma maneira.

Não vivem.

A cidade é um mapa de diferenças.

Cada rua possui uma história social.

Cada bairro carrega disputas, memórias e hierarquias.

E nós atravessamos tudo isso diariamente, muitas vezes sem perceber.

O curioso é que nos acostumamos tanto às desigualdades que elas começam a parecer parte da paisagem.

Talvez essa seja uma das formas mais perigosas de naturalização.

Quando a injustiça deixa de causar estranhamento, ela passa a parecer arquitetura.

Mas não é.

É política.

É história.

É escolha.

É estrutura.

E talvez caminhar pela cidade com um pouco mais de atenção seja uma forma simples de reaprender a enxergar aquilo que a rotina tornou invisível.

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