Violência contra a mulher
A dor que não passa
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Todos os dias mulheres estão morrendo. Morrendo nas mãos de homens que dizem que amam, mas continuam matando porque “não aceitam o fim”. Ou porque preferem vê-las em um caixão a imaginá-las seguindo em frente com outra pessoa. Que tipo de “amor” é esse?
Todos os dias meninas são abusadas sexualmente. Muitas vezes por familiares “confiáveis”. Muitas vezes por aqueles que a sociedade insiste em chamar de “cidadãos de bem”. Muitas vezes por pastores, padres, líderes espirituais e gurus que usam a fé, a autoridade e a fragilidade alheia como ferramentas de dominação.
Isso não é desvio de curso, nem exceção à parte. É abuso.
Vivemos em uma sociedade que questiona a roupa da vítima, mas raramente questiona a conduta do agressor. Uma sociedade que pergunta por que ela estava ali, mas não pergunta por que ele achou que tinha direito sobre o corpo dela. Uma sociedade que exige que a mulher prove sua dor, sua inocência e sua honestidade, enquanto concede ao agressor o benefício da dúvida.
Quando uma mulher denuncia, ela é desacreditada e questionada.
Quando grita, é chamada de histérica.
Quando se cala, dizem que consentiu.
Quando sobrevive, esperam que ela “supere” sem traumas.
Quando morre, procuram motivos.
Transformaram a violência contra mulheres em manchete passageira e número estatístico. Mas cada número tem um nome, um rosto, uma história interrompida e uma família destruída.
Até quando vamos normalizar piadas que desumanizam mulheres?
Até quando vamos tolerar discursos que romantizam ciúme, posse e controle possessivo?
Até quando as mulheres sofrerão em uma sociedade que relativiza agressões, abusos e mortes quando a vítima é mulher?
A resposta deveria ser: nunca mais.
Mas para que esse “nunca mais” exista, é preciso responsabilizar os agressores, e não buscar meios para proteger as suas reputações. É preciso acreditar nas vítimas e parar de chamar violência de amor.
Amor não controla, não persegue, não aprisiona e, principalmente, amor não mata.