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Mudanças

A idade em que começamos a escolher melhor

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Existe uma idade em que alguma coisa muda.

Não sabemos exatamente quando.

Apenas percebemos que certas coisas deixaram de impressionar.

Já não queremos estar em todos os lugares.

Não precisamos responder a todas as provocações.

Não sentimos necessidade de explicar cada escolha.

Algumas pessoas vão embora e, pela primeira vez, entendemos que nem toda partida precisa ser impedida.

Talvez seja maturidade.

Ou apenas cansaço.

Provavelmente os dois.

Bourdieu nos ajuda a compreender como nossos gostos e escolhas são socialmente construídos. Durante muito tempo, talvez tenhamos desejado coisas porque aprendemos que deveríamos desejá-las.

Depois começamos a perguntar:

“Eu realmente quero isso?”

Essa pergunta é libertadora.

Porque há sonhos que eram nossos apenas porque alguém nos ensinou que deveriam ser.

Há relações que mantemos porque temos medo do que os outros pensarão.

Há trabalhos que sustentamos porque confundimos estabilidade com felicidade.

Há lugares onde permanecemos porque sair exigiria explicar nossa saída.

Até que um dia percebemos que a vida é curta demais para viver exclusivamente segundo expectativas alheias.

Não significa abandonar responsabilidades.

Significa selecionar melhor aquilo que merece nossa energia.

Talvez envelhecer seja isso.

Não saber mais tudo.

Mas saber melhor o que não queremos.

E, às vezes, essa já é uma forma bastante sofisticada de liberdade.

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