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Papel, rua e resistência

A informação que continua a sobreviver em Brasília

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto Divulgação

Em tempos de algoritmos, impulsionamentos e timelines que mudam a cada segundo, uma cena cotidiana resiste nas ruas da capital da República. São homens e mulheres com maços de papel nas mãos, distribuindo informação nos sinais de trânsito, nas portas de comércio e nas feiras populares.

Para Gabriel Grisolia Santoro, diretor da Panfletar – Marketing, Comunicação & Eventos, uma empresa de panfletagem com sede em Águas Claras, cidade de classe média alta em Brasília, o produto impresso continua sendo a forma mais direta e eficaz de comunicar.

“No mundo virtual em que vivemos, o papel ainda traz a melhor informação”, garante o empresário, que comanda uma operação que funciona todos os dias, faça sol ou chuva.

A empresa mantém mais de uma dezena de colaboradores e mobiliza eventualmente outras 40 pessoas, também freelancer, conforme a demanda de clientes. O número varia de acordo com o fluxo de campanhas comerciais, institucionais e promocionais que chegam semanalmente.

Diariamente, milhares de panfletos circulam pelo Plano Piloto e pelas regiões administrativas — termo que substituiu oficialmente as antigas “cidades-satélites”, mas que no imaginário popular ainda carrega a identidade histórica dessas localidades.

O trabalho ganha ritmo especial nos fins de semana. É quando entram em cena os jornais impressos gratuitos de circulação semanal, distribuídos em pontos estratégicos da capital, a exemplo de semáforos de grande fluxo, estações de transporte público, portas de supermercados e feiras livres.

Para Santoro, o diferencial do papel está na experiência física. Ao contrário do conteúdo digital, que pode ser ignorado com um deslizar de dedo, o impresso exige um gesto concreto: pegar, dobrar, guardar ou descartar.

“O papel cria contato. Ele ocupa espaço. Mesmo que a pessoa não leia na hora, leva para casa, deixa sobre a mesa, compartilha com alguém da família”, afirma.

A lógica, segundo ele, é simples: enquanto o ambiente virtual disputa atenção em frações de segundo, o material impresso permanece visível por mais tempo.

Além da comunicação direta com o público, a atividade também cumpre papel econômico relevante. Em um mercado de trabalho cada vez mais pressionado pela informalidade e pela automação, a panfletagem mantém postos de trabalho presenciais e acessíveis.

Os temporários, frequentemente contratados para ações específicas, encontram na atividade uma fonte de renda complementar. Já a equipe fixa garante continuidade operacional e coordenação logística.

A cada campanha, forma-se uma pequena rede que envolve gráficas, distribuidores e comerciantes — uma cadeia produtiva que gira em torno do papel.

Brasília, centro do poder político e administrativo do país, também reflete as contradições do mundo contemporâneo. De um lado, prédios espelhados, redes sociais e comunicação instantânea. De outro, o papel que atravessa os eixos e estacionamentos, alcançando moradores do Plano Piloto, de Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho e tantas outras regiões administrativas.

No debate sobre o futuro da comunicação, a experiência de empresas como a de Gabriel Grisolia Santoro sugere que o impresso não desapareceu, mas apenas encontrou um novo lugar. E é justamente em meio a telas luminosas, que o papel segue circulando. E, ao que tudo indica, ainda há quem prefira sentir a notícia nas mãos.

Serviço
Panfletar – Marketing, Comunicação & Eventos
Telefones: 61-98242.4271 e 99808.4433
Instagram: @panfletarmar

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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