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De chinelo, marmita na mão e roupa de hospital

A insólita fuga em zigue-zague que parou a capital

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação/PCDF

Uma marmita em uma das mãos, o traje hospitalar azul e um olho roxo bem marcado no rosto. Foi com essa vestimenta nada convencional que Alan da Silva Marques, de 43 anos, protagonizou uma sequência de crimes digna de roteiro de cinema na manhã desta quarta-feira (9). Em um intervalo de menos de 48 horas, o homem conseguiu ser preso, liberado pela Justiça, internado em um hospital, fugir da unidade médica e roubar um ônibus articulado, mobilizando as forças de segurança do Distrito Federal em uma perseguição frenética pela Via Estrutural.

O histórico recente do suspeito já indicava que a semana seria movimentada. Apenas dois dias antes, na segunda-feira (7), Alan havia sido detido em flagrante após furtar um caminhão na região de Samambaia. Conduzido à delegacia e, posteriormente, submetido à audiência de custódia, ele recebeu o benefício de responder ao processo em liberdade. No entanto, devido a ferimentos decorrentes de uma suposta agressão que alegou ter sofrido nas ruas, o homem precisou ser encaminhado para atendimento médico no Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

A estadia no hospital durou pouco e terminou de forma misteriosa. Sem receber alta médica e burlando a segurança da unidade, Alan escapou do HRT vestindo apenas a roupa de internamento. Ele caminhou até o terminal de ônibus do Setor O, em Ceilândia, onde avistou um coletivo da empresa BSBUS estacionado no pátio. Câmeras do circuito interno do veículo registraram o momento exato em que ele entrou calmamente, carregando o seu almoço, sentou-se na poltrona do motorista e deu a partida, sumindo pelas ruas da cidade.

A audácia da ação não passou despercebida. Quase que instantaneamente, o Centro de Controle Operacional da BSBUS identificou a saída não autorizada do veículo. Funcionários da empresa decidiram agir por conta própria e iniciaram um monitoramento visual e físico do ônibus, seguindo o rastro do criminoso enquanto acionavam os canais de emergência. A partir dali, o trajeto do coletivo se transformou em uma rota de puro pânico para quem circulava pelas vias do Distrito Federal.

Ao volante do pesado veículo, Alan demonstrou total desrespeito pelas leis de trânsito e pela vida alheia. Durante a fuga pela Via Estrutural, o homem passou a dirigir em um zigue-zague violento, invadindo canteiros centrais e jogando o ônibus na contramão da via marginal. Motoristas que trafegavam pelo local precisaram realizar manobras bruscas para evitar colisões frontais catastróficas. No momento mais tenso da escapada, uma pedestre que caminhava pelo acostamento quase foi atropelada pelo gigante de ferro.

A condução perigosa e errática chamou a atenção de uma equipe da Polícia Civil que passava pelo local em uma viatura descaracterizada. Ao notar os movimentos previsivelmente trágicos do veículo, um policial acionou as sirenes e tentou realizar a abordagem. Foi nesse momento que o funcionário da BSBUS, que vinha perseguindo o ônibus desde o terminal, emparelhou com os agentes e confirmou o que todos já suspeitavam: o transporte público havia acabado de ser furtado.

Mesmo com os sinais sonoros e as ordens claras de parada emitidas pelas autoridades policiais, Alan ignorou os comandos e continuou acelerando rumo a Ceilândia. A caçada humana só ganhou um desfecho minutos depois, quando o suspeito se viu encurralado pelo trânsito e pela pressão dos perseguidores. Em um ato de desespero, ele abandonou o volante com o ônibus ainda parando, saltou pela janela do motorista e correu a pé para tentar cruzar as pistas movimentadas da Via Estrutural.

A tentativa de fuga a pé durou poucos metros. Em uma ação conjunta rápida e precisa, os policiais civis e os funcionários da empresa de ônibus conseguiram interceptar e derrubar o homem no canteiro central da via marginal. Alan foi imobilizado, algemado e recebeu voz de prisão em flagrante mais uma vez, sob os olhares atentos de motoristas que acompanhavam o desfecho da caótica cena urbana.

Já na delegacia, ao prestar depoimento à 8ª Delegacia de Polícia Civil, o preso apresentou uma justificativa peculiar para o crime. Alan afirmou que havia sido roubado e agredido seriamente na noite anterior, o que justificava o seu olho roxo. Segundo a sua versão, o único objetivo ao fugir do hospital era ir até a casa do seu filho. Como não conseguiu carona ou ajuda financeira para o deslocamento, ele alegou que a “única alternativa” viável foi pegar o ônibus da empresa para fazer a viagem por conta própria.

Enquanto a Polícia Civil investiga a veracidade das declarações do suspeito e as circunstâncias exatas de sua fuga do Hospital Regional de Taguatinga, o ônibus foi periciado e devolvido intacto à BSBUS. Em nota oficial, a concessionária de transporte público elogiou a coragem e a rapidez de seus colaboradores, destacando que a iniciativa dos funcionários foi fundamental para capturar o criminoso e recuperar o patrimônio da empresa sem deixar feridos ou causar maiores danos à população do Distrito Federal.

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