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Conversa

A mesa do bar também é um campo de pesquisa

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Sempre achei engraçado quando dizem que pesquisa acontece apenas dentro da universidade.

Talvez porque eu tenha aprendido muito mais em mesas de bar do que algumas pessoas imaginam.

Não estou falando da cerveja.

Estou falando da conversa.

Existe um momento curioso em toda mesa.

Depois que o riso diminui.

Depois que a música já não é o centro.

Alguém faz uma pergunta.

Outra pessoa lembra uma história.

Alguém discorda.

Outro silencia.

E, de repente, uma mesa inteira está debatendo política, religião, futebol, saúde mental ou amor.

Sem perceber, todos estão produzindo interpretações sobre o mundo.

É isso que a Antropologia sempre tentou nos ensinar.

O extraordinário mora no ordinário.

Marcel Mauss descobriu isso observando presentes.

DaMatta observando a casa e a rua.

Goffman observando elevadores.

Eu gosto de observar mesas.

Porque nelas ninguém consegue esconder completamente quem é.

Existe quem escute.

Existe quem monopolize a palavra.

Existe quem ria para fugir da dor.

Existe quem fale alto porque nunca aprendeu que também merece ser ouvido.

Toda mesa é uma pequena sociedade.

E talvez seja por isso que eu nunca tenha conseguido separar completamente amizade de pesquisa.

As duas exigem exatamente a mesma coisa.

Escuta.

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