Curta nossa página


Evangelismo político

A polêmica ironia das decisões de André Mendonça

Publicado

Autor/Imagem:
@donairene13 - Foto de Arquivo

Nesta terça-feira, 8, o ministro André Mendonça, do STF, determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também atingiu o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. Mendonça alegou irregularidades na produção de relatórios de inteligência da corporação, mas a medida provocou forte reação interna e integrantes da cúpula da PF chegaram a classificá-la como política.

Andrei Rodrigues está à frente de uma Polícia Federal que avançou justamente sobre personagens poderosos no caso Banco Master e nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro. Por isso, o momento do afastamento inevitavelmente levanta perguntas. A quem interessa retirar o diretor-geral da PF justamente quando as investigações sobre Vorcaro avançam e surgem novas revelações sobre suas relações políticas? Se houver elementos sobre financiamento de produções ou negócios que possam alcançar a família Bolsonaro, esses fatos precisam ser investigados até o fim, sem interferência política e sem qualquer tipo de blindagem.

Há ainda uma ironia difícil de ignorar. André Mendonça foi ministro da Justiça de Jair Bolsonaro em um governo marcado por sucessivas trocas no comando da Polícia Federal e por uma enorme controvérsia sobre tentativas de interferência política na instituição. Agora, já no STF, é Mendonça quem determina o afastamento do diretor-geral escolhido no governo Lula. Em vez de enfraquecer a PF no momento em que ela investiga gente poderosa, o correto seria garantir sua autonomia para seguir o dinheiro e as provas, seja qual for o sobrenome de quem aparecer no caminho.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.