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Entre a literatura e a ciência

A trajetória polímata de Eduardo Martínez e seu legado literário

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto Acervo Pessoal

O cenário intelectual brasileiro testemunha o surgimento de figuras que desafiam a especialização rígida, e Eduardo Martínez destaca-se como um exemplo notável dessa versatilidade. Médico Veterinário pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Brasília (UnB) e jornalista profissional, ele conseguiu costurar saberes aparentemente distantes para consolidar uma transição de sucesso para o topo das letras nacionais.

Diferente de muitos acadêmicos que migram para a literatura após a carreira científica, Martínez já era um escritor estabelecido décadas antes de sua incursão mais famosa na zoologia. Sua estreia literária ocorreu em 2004 com o livro Despido de Ilusões, obra que alcançou um marco impressionante ao figurar entre os títulos mais requisitados da biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro.

Essa veia artística pulsante caminhou lado a lado com o rigor da observação técnica. Foi somente em 2019 que Martínez gravou seu nome na história da zoologia ao publicar, em revista científica, o primeiro artigo na América Latina sobre o comportamento do papagaio eclectus (Eclectus roratus). O estudo, fruto de sua trajetória na UnB, demonstrou uma precisão analítica que ele já exercitava em sua vasta produção textual.

Atualmente, o autor soma quatro livros publicados e mais de 40 participações em coletâneas, mostrando uma produtividade constante que une a ética da ciência à poesia das letras. Sua maturidade criativa atingiu o ápice com a obra 57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho, que se tornou um fenômeno de crítica por suas reflexões profundas sobre a existência, o tempo e a condição humana.

Eduardo e o Jornalista José Seabra, o Chefe

A trajetória na literatura ganhou um capítulo decisivo no final de 2022, quando foi convidado pelo jornalista e escritor José Seabra, o Chefe, para integrar o quadro do Notibras. Em pouco tempo, Martínez consolidou-se como o cronista número um da casa, unindo a sensibilidade do escritor à técnica jornalística apurada.

Expandindo sua presença no cenário cultural, no final de 2025, o autor passou a integrar também o quadro de colunistas do Jornal Cultural ROL. O convite partiu do editor-chefe e grande escritor Sergio Diniz da Costa, que reconheceu em Martínez uma voz essencial para o debate literário contemporâneo, marcada pela experiência, lucidez e pelo domínio das ferramentas de comunicação.

Eduardo com o escritor/editor Daniel Marchi e Celso (padrinho)

No portal Notibras, o autor desempenha um papel fundamental além da redação de suas crônicas: ele divide a editoria do Café Literário com os escritores Daniel Marchi e Ju Trinxet. Juntos, eles coordenam um espaço que se tornou referência por sua proposta inclusiva e curadoria de alta qualidade técnica e artística.

O intuito central do Café Literário, sob a liderança deste trio, é ser um espaço democrático para novos talentos da literatura. O projeto funciona como uma vitrine essencial, oferecendo visibilidade para escritores emergentes e fomentando a nova produção intelectual brasileira com a generosidade característica de Martínez e seus parceiros.

Eduardo com o Professor José Geraldo de Sousa Junior

O prestígio de sua escrita foi ratificado por um selo de peso acadêmico: a orelha de seu livro mais recente foi escrita pelo Professor José Geraldo de Sousa Junior, ex-reitor da UnB. O endosso de uma das figuras mais respeitadas do pensamento social brasileiro elevou o autor ao patamar de voz indispensável nas humanidades e na literatura nacional.

O reconhecimento em concursos também marca sua trajetória recente de forma brilhante. Entre suas premiações, estão sua crônica O pai do rock foi um péssimo caçador venceu o concurso do PET de Biblioteconomia e Ciência da Informação da UFSCar (2023). No mesmo ano, o conto Duas vidas, um parque e o silêncio foi o grande vencedor do certame da Revista Eco Literário.

Essas vitórias foram o prelúdio para as grandes honrarias de 2025, quando seu livro  57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho foi o vencedor do prestigiado Prêmio Literário Clarice Lispector – 2025,  e ele foi agraciado com o Prêmio Personalidades Literárias e Culturais. Tais distinções confirmam que Martínez alcançou a excelência técnica tanto na arte da ficção quanto no exercício da crônica jornalística.

Sua trajetória prova que a ciência, o jornalismo e a literatura são faces da mesma moeda. O mesmo homem que descreveu o etograma de uma ave da Oceania em 2019 já descrevia, décadas antes, as nuances do coração humano, provando que o intelecto não deve aceitar limites impostos por diplomas ou cronogramas acadêmicos.

A conexão entre a UFRRJ e a UnB em sua vida vai além do currículo, formando a base de sua conduta ética. Na primeira, compreendeu o valor da vida biológica como veterinário; na segunda, explorou a engenharia agronômica e a ciência aplicada, culminando agora na exploração estética da alma através das palavras e do jornalismo, sua primeira graduação.

Ao final, o legado de Eduardo Martínez é um mosaico de sucessos que unem a técnica e a sensibilidade. Com o apoio de nomes como José Seabra e Sergio Diniz, ele se consolidou como uma das figuras mais completas e fascinantes da cultura brasileira atual, provando que a maturidade é a fase mais fértil da criação intelectual.

O autor continua a desafiar o tempo e o senso comum em sua produção diária, onde a objetividade do cientista se mistura à agilidade do jornalista e à sensibilidade do escritor. Martínez escreve para curar a cegueira cotidiana, oferecendo aos leitores uma lente mais humana, detalhada e profunda sobre os dilemas do nosso século.

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Link para acesso ao artigo científico: C:/Users/Adm/Downloads/46431-Texto%20do%20artigo-751375207056-1-10-20200827%20(2).pdf

Link do Jornal Cultural ROL: https://jornalrol.com.br/?s=eduardo+mart%C3%ADnez

Link de venda do livro “57 Contos e crônicas por um autor muito velho”: https://www.joanineditora.com.br/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho

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