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Correção oportuna

Abundância brasileira vai matar petulância trumpista

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Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

No artigo dessa quinta-feira (20), também conhecida por ontem, inclui os bolsonaristas do Brasil entre as mais de 7 bilhões de pessoas que habitam o Planeta Terra. Com base nos fatos, disse que, entre inteligentes, lordes, solidários, medíocres e patéticos, eles são os mais chatos, intolerantes, ameaçadores, retrógrados, incivilizados e rocambolescamente conduzidos por um mito que não soube sequer conduzir a si próprio. Por um desses abortos da natureza, no mesmo dia fui oportunamente corrigido pele presidente do México, a progressista Claudia Sheinbaum, uma das mandatárias que, como o colega brasileiro, não se dobrou aos caprichos de Donald Trump.

Não a conheço, nunca nos vimos ou nos falamos, mas, do alto de minha pretensão jornalística, acho que estamos em sintonia. Em nome da população mundial, particularmente em defesa dos mexicanos e dos latinos, Sheinbaum escreveu para Trump e Elon Musk, seu menino de recados, o que eu, a torcida do Flamengo e todos os torcedores dos grandes clubes das Américas do Sul, Central e do Norte gostariam de ter escrito. Segundo ela, ao optarem pela construção de um muro dividindo os Estados Unidos do México e, por extensão, do restante do mundo, Trump e Musk esqueceram que, além da edificação, vivem 7 bilhões de pessoas, comumente chamadas de consumidores.

Sabidamente para a maioria da plebe, os norte-americanos parecem que não entendem nada de geografia, já que, para eles, a América significa apenas os EUA e não um importante continente consumidor. Conforme a líder mexicana, são 7 bilhões de consumidores prontos para substituir seus iPhones por um Samsung e Huawei em menos de 42 horas. “Eles também podem trocar Levi ‘s por Zara ou Massimo Dutti”. Fazendo minhas as palavras de Cláudia Sheinbaum, sem fazer alarde, em menos de seis meses podemos parar de comprar carros da Ford ou da Chevrolet e substituí-los por Toyota, KIA, Mazda, Honda, Hyundai, Volvo, Subaru, Renault e BMW, marcas que, tecnicamente, superam os veículos produzidos nos EUA.

Além disso, o povo que Trump, Musk e os bolsonaristas querem segregar é capaz de, com um estalar de dedos, cancelar as milhões de assinaturas de TV a cabo americana. Triste e inimaginável, mas quem sabe paremos de assistir aos filmes de Hollywood. Reconhecidamente, as produções latino-americanas e europeias têm tanta ou mais qualidade, mensagens mais ricas, técnicas cinematográficas mais avançadas e conteúdos mais relevantes. Os longas-metragens brasileiros Central do Brasil, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto são alguns dos exemplos da afirmação da líder do México. Mesmo contra a vontade dos bolsonaristas, os três tiveram várias indicações e um ganhou uma das estatuetas do Oscar.

E se, em lugar da Disney, os latinos decidissem investir em viagens fora do muro? As maravilhas do Brasil, do México, Canadá, China, Oriente e da Europa são destinos turísticos incríveis e muito mais naturais e baratos. Sugiro a Trump, a Musk e aos “patriotas” do Brasil que visitem e babem com as Cataratas do Iguaçu, com as praias do Nordeste, da Região dos Lagos e da Costa Verde fluminense, com o Cristo Redentor, Cancun, Aruba, Isla Margaritas, Machu Picchu, Cartagena das Índias, a Torre Eiffel, as Muralhas da China, as pirâmides do Egito, Ninho do Urubu e as centenas de monumentos de civilizações antigas espalhadas pelo continente que vocês querem segregar.  A pergunta é simples: O que seria dos EUA se um dia as Américas e o mundo se fecharem para eles?

Apenas como ilustração, nem futebol vocês têm. Se tivessem, lembrariam que o mundo esportivo não é monopólio da Nike. Adidas, Puma, Panam e marcas diversas são tão boas como. Sei que os americanos que vocês representam não têm humildade. Se tivessem, reconheceriam que os hambúrgueres produzidos do lado de cá são melhores e mais nutritivos do que os do McDonald ‘s, Burger King, KFC e Subway. Se Trump e Musk um dia vierem por aqui, certamente irão comê-los e, provavelmente, tentarão patenteá-los como iguaria americana. O detalhe é que nenhum desses hambúrgueres é frito por Eduardo Bolsonaro, aquele ex-deputado que um dia sonhou em ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Seria o início da anexação do Brasil. Mas,  como Deus é brasileiro, as duas desgraças foram evitadas.

Trump e Musk talvez não saibam, mas sabemos muito mais deles do que eles pensam. Além do aço na indústria naval, e se um dia faltar à mesa dos americanos a carne, o frango, a laranja, o café e demais produtos agrícolas? Enquanto nós temos abundância, eles têm petulância. Americanizados, nossos falsos patriotas, o clã Bolsonaro à frente, bem que poderiam informar às duas eminências estadunidenses que o desemprego crescerá e a economia da muralha racista entrará em colapso quando esses 7 bilhões de consumidores deixarem de comprar seus produtos. Terão de engolir o choro. Se precisarem, Xandão, o magistrado que sempre dorme com um olho aberto, estará pronto para deixá-los em domicílio.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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