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Carnaval 2026

Acadêmicos de Niterói atrai os holofotes para Lula

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@donairene13 - Foto Divulgação

A Acadêmicos de Niterói estreia neste ano no grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro com um enredo que promete atrair holofotes dentro e fora da Marquês de Sapucaí. A escola decidiu homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retratando sua trajetória pessoal e política.

A escolha do tema, naturalmente, despertou entusiasmo. Muitos simpatizantes gostariam de vestir a fantasia e desfilar na avenida em celebração à história do presidente. Mas o Palácio do Planalto agiu com cautela: foram dadas orientações claras para que nenhum ministro de Estado ou pessoa próxima ao presidente participe do desfile, e ficou expressamente vedado o uso de aeronaves da FAB para deslocamentos relacionados ao carnaval.

A mensagem é inequívoca: separar Estado de festa, cargo público de manifestação cultural, governo de homenagem simbólica. Em tempos de polarização e vigilância permanente, qualquer gesto pode ser interpretado como uso indevido da máquina pública.

A exceção aberta diz respeito à primeira-dama, que não ocupa cargo formal na estrutura do governo. Ainda assim, sua eventual presença na avenida é vista com cautela por analistas políticos. Em ano eleitoral, cada imagem, cada gesto e cada aplauso podem ser explorados pela oposição como peça de campanha antecipada ou como sinal de confusão entre o público e o privado.

De fato, todo cuidado é pouco. O carnaval é expressão cultural legítima, plural e democrática e as escolas de samba sempre narraram a história do Brasil sob múltiplas lentes, celebrando personagens políticos, sociais e culturais. Mas quando a homenagem recai sobre um presidente em exercício, o equilíbrio institucional se torna ainda mais delicado.

O carnaval do Rio de Janeiro é palco de arte, emoção e narrativa popular. O governo, por sua vez, precisa preservar a liturgia do cargo. Entre o brilho da avenida e a sobriedade do Planalto, a linha é fina. E, em ano eleitoral, qualquer passo fora do compasso pode virar argumento político no dia seguinte.

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