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Derrubando o 'puxadinho'

Agnelo embaralha jogo do PT e pode tirar Ricardo Vale da cadeira de distrital

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto de Arquivo

A pré-candidatura do ex-governador Agnelo Queiroz a uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal começa a movimentar os bastidores do Partido dos Trabalhadores. A decisão já provoca inquietação entre lideranças que pretendem renovar seus mandatos em 2026. Um dos mais ameaçados é Ricardo Vale, atual vice-presidente da Casa. Ele é o que fica mais fragilizado com a entrada de Agnelo na disputa.

Embora ainda não exista qualquer definição oficial sobre a composição da chapa petista, dirigentes e militantes históricos avaliam que ambos tendem a disputar faixas semelhantes do eleitorado, especialmente entre os simpatizantes mais tradicionais do partido.

Nos corredores da política local, a avaliação é que Agnelo conserva capital político relevante junto a setores da militância que enxergam em seu governo um dos períodos de maior protagonismo do PT no Distrito Federal. Para esse grupo, sua eventual candidatura teria potencial para atrair votos de antigos eleitores que se afastaram das disputas distritais ou que hoje se encontram dispersos entre diferentes correntes internas da legenda.

Por outro lado, há quem considere que o retorno do ex-governador ao processo eleitoral possa reabrir antigos debates sobre os acertos e erros das administrações petistas na capital da República. Entre críticos e adversários políticos, permanece a narrativa de que o partido perdeu parte de sua força institucional em razão de desgastes acumulados ao longo dos anos, envolvendo disputas internas e questionamentos sobre a relação entre governo e órgãos de controle, como no Tribunal de Contas, onde Paulo Tadeu supostamente costuma aprovar contas governistas sem ressalvas. A título de recordação, o conselheiro é irmão de Vale.

Nesse cenário, a possível presença de Agnelo na corrida distrital surge como um fator capaz de alterar o equilíbrio interno da legenda. Enquanto alguns enxergam a candidatura como oportunidade para fortalecer a bancada petista, outros temem que a pulverização dos votos tradicionais da esquerda acabe dificultando a reeleição de parlamentares já estabelecidos.

A poucos meses da eleição, a única certeza é que o simples rumor da volta de Agnelo ao centro do tabuleiro político já produz efeitos. No PT, onde cada voto pode ser decisivo para a formação da bancada distrital, a disputa promete ser tão intensa dentro do partido quanto nas urnas. E se vingar a lógica, Ricardo Vale voltará para seu cantinho em Sobradinho.

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