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Romantismo Brasileiro

Ah! Não posso!

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Firmina dos Reis - Foto Francisco Filipino

Se uma frase se pudesse
Do meu peito destacar;
Uma frase misteriosa
Como o gemido do mar,
Em noite erma, e saudosa,
Do meigo, e doce luar;

Ah! se pudesse!… mas muda
Sou, por lei, que me impõe Deus!
Essa frase maga encerra,
Resume os afetos meus;
Exprime o gozo dos anjos,
Extremos puros dos céus.

Entretanto, ela é meu sonho,
Meu ideal inda é ela;
Menos a vida eu amara
Embora fosse ela bela,
Como rubro diamante,
Sob finíssima tela.

Se dizê-la é meu empenho,
Reprimi-la é meu dever;
Se se escapar dos meus lábios,
Oh! Deus — fazei-me morrer!
Que eu pronunciando-a não posso
Mais — sobre a terra viver.

……………………….

Maria Firmina nasceu em São Luís do Maranhão, em 11 de outubro de 1825. Filha de Leonor Felippa dos Reis e neta de Engrácia Romana da Paixão, ambas escravas alforriadas, Firmina tinha tudo para ser apenas mais uma vítima do Brasil escravocrata. No entanto, seu tio Sotero dos Reis, que pertencia ao ramo branco da família, era professor, e circulava nos espaços letrados e intelectuais da cidade. Esse fato, sem dúvida, foi determinante para a trajetória da autora.

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