Curta nossa página


Tempo

Amizades também envelhecem

Publicado

Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Existe uma expectativa estranha sobre amizade: imaginamos que amigos verdadeiros precisam permanecer exatamente como eram quando se conheceram.

Não precisam.

Nós mudamos.

Nossos horários mudam.

Nossos corpos mudam.

Nossas prioridades mudam.

Algumas pessoas têm filhos.

Outras mudam de cidade.

Algumas casam.

Outras se separam.

Algumas adoecem.

Outras começam de novo.

E há amizades que precisam aprender a sobreviver às transformações dos próprios amigos.

Talvez Simmel reconhecesse nisso uma das características mais interessantes das relações: elas existem enquanto formas de interação, mas nunca permanecem completamente iguais.

Amizade adulta não é necessariamente falar todos os dias.

Às vezes é passar meses sem conversar e, quando finalmente conversar, descobrir que alguma coisa essencial permaneceu.

É saber que a pessoa existe.

É poder telefonar.

É receber um áudio de sete minutos e pensar: “Lá vem um podcast.”

É ouvir mesmo assim.

Porque algumas amizades não dependem de frequência.

Dependem de reconhecimento.

Talvez amadurecer também seja parar de medir afeto por quantidade.

Nem toda ausência é abandono.

Nem toda distância é desamor.

Às vezes a vida simplesmente ficou grande demais.

E talvez a verdadeira amizade seja justamente aquela que consegue sobreviver à vida acontecendo.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.