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Direito de renovar

Antecessor de Ibaneis na OAB, Kiko Caputo quer ser o sucessor no Buriti

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Acervo Pessoal

Há momentos em que a política do Distrito Federal parece um céu de chumbo; é quando se mostra carregado, pesado, prestes a desabar. E há momentos em que uma brisa muda o rumo das nuvens. E o que se vê agora, nos corredores acarpetados do poder, é o início de uma mudança de vento.

O nome que começa a circular com mais intensidade é o do advogado Francisco Caputo, o Kiko Caputo, antecessor de Ibaneis Rocha na seccional do DF da OAB. Não surge como raio em céu azul, mas como peça movida com cálculo milimétrico. E como profissional pragmático no campo do Direito, ele sabe que em política, quem sabe jogar xadrez não anuncia o xeque, mas prepara o mate.

Caputo está se articulando para disputar o Governo do Distrito Federal. A legenda que carregará sua bandeira ainda repousa sob sigilo estratégico, devendo ser revelada em meados de março. Contudo, os acordos preliminares já começam a desenhar uma nominata competitiva. Não se trata, segundo pessoas do seu entorno, de aventura, mas de construção.

Ao lado de Caputo, caminha uma geração que decidiu trocar o conforto institucional pelo risco político. O exemplo mais clássico é o do advogado Eric Gustavo de Góis Silva, que renunciou à Diretoria de Honorários e Valorização da Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção Distrito Federal, para ampliar sua atuação pública.

Quem conhece Eric, sabe que ele não é figura ornamental. Fundador da OAB Águas Claras e presidente por dois mandatos, estruturou a subseção do zero, entregou sede própria e consolidou a advocacia local. Está saindo da zona diretiva de classe no momento em que o Distrito Federal atravessa um período delicado, marcado por questionamentos envolvendo o caso Banco Master, o BRB e operações que colocam o patrimônio público sob escrutínio.

Aos seus colegas e eventuais eleitores, ele manda uma mensagem é direta, enfatizando que o Distrito Federal precisa de firmeza contra a corrupção, responsabilidade fiscal e transparência sem adjetivos. Há nesse advogado, porém, algo que vai além do discurso clássico anticorrupção. É que Eric coordena a Pós-Graduação em Inteligência Artificial no Direito da UniEuro, e introduz no debate o futuro da capital da República, um tema que raramente frequenta as campanhas locais.

Enquanto parte da classe política ainda opera no modelo do balcão e da dependência, a proposta que começa a ganhar forma fala em educação tecnológica nas escolas públicas, formação em inteligência artificial, economia digital e autonomia produtiva. “Não faz sentido formar apenas operadores do passado quando o mundo exige programadores, especialistas em dados, jovens preparados para um mercado que já não aceita improviso”, observa Eric Gustavo, gerando um discurso quase incômodo para os adversários, porque desloca o eixo da disputa ao excluir o loteamento de cargos e abrir a porta da lógica estrutural.

Águas Claras, Vicente Pires, Arniqueiras, Areal e Taguatinga formam hoje o maior colégio eleitoral do Distrito Federal. É nesse cinturão urbano que Eric construiu sua base. Jovem, articulado, com trânsito na advocacia e no campo acadêmico, prepara-se também para eventualmente disputar uma vaga na Câmara Legislativa. Nos bastidores, o movimento se consolida ao lado de Caputo, abrindo caminho para uma dobradinha estratégica, com Palácio do Buriti e Câmara Legislativa alinhados por um discurso de renovação institucional.

Ninguém desconhece que a política do Distrito Federal sempre foi território de figuras conhecidas, de sobrenomes repetidos, de alianças previsíveis. E o que começa a se desenhar agora é um desanimado e silencioso cenário nos gabinetes tradicionais. Isso porque, quando a advocacia deixa de debater apenas honorários e passa a falar de estrutura de Estado, o jogo muda. Eric, em conversa com Notibras, admite que ainda não é o xeque-mate que vem dos movimentos de Kiko Caputo. Mas, garante, é um xeque anunciado.

Por fim, ele salienta que no xadrez do poder, às vezes basta um movimento ousado para desmontar uma estratégia construída há décadas. É o que está acontecendo no Distrito Federal. “Basta ter coragem. E depois de assistirmos de fora, como meros espectadores, aprendemos que na política, coragem não é sinônimo de gritar mais alto; o importante é saber mover a peça certa na hora exata; isso é o suficiente”, conclui Eric Gustavo.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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