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Destinos paralelos

Ao Pé do Livro discute como um nome pode mudar uma vida

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Autor/Imagem:
Ao Pé do Livro - Fabiana Saka

O tradicional restaurante O Peixe Vivo, na Rua Tonelero, em Copacabana, recebeu neste domingo (16) mais um encontro do grupo de leitura Ao Pé do Livro. Entre petiscos e conversa literária, os participantes discutiram o romance Os nomes, da escritora inglesa Florence Knapp, e escolheram a obra que será lida para a reunião de setembro.

O Ao Pé do Livro reúne antigos integrantes do Papa Livros e do Ao Pé da Letra, grupos fundados pela saudosa poetisa e historiadora da arte Ladyce West. A nova formação preserva o interesse pela leitura compartilhada e pela convivência que marcou aquelas duas iniciativas. Seus encontros são mensais e realizados em diferentes pontos do Rio de Janeiro.

Romance de estreia de Florence Knapp, Os nomes foi recebido com entusiasmo por todos os participantes. A narrativa começa quando Cora precisa registrar o filho recém-nascido. O marido, Gordon, um médico respeitado fora de casa, mas violento e controlador na intimidade, exige que o menino receba o seu nome, em obediência a uma tradição familiar. Cora prefere Julian. Maia, a filha mais velha do casal, sugere Bear.

A partir dessa escolha aparentemente simples, a autora constrói três vidas possíveis. Bear, Julian e Gordon são a mesma criança, mas percorrem caminhos diferentes conforme o nome recebido. O romance acompanha essas trajetórias paralelas ao longo dos anos e examina até que ponto uma decisão pode alterar a maneira como uma pessoa se reconhece, é vista pelos outros e enfrenta a herança familiar que lhe coube.

A discussão também se deteve sobre a violência doméstica, que ocupa um lugar decisivo na história. Seus efeitos não se limitam aos episódios de agressão, mas permanecem na memória, nas relações familiares e nas escolhas feitas muito tempo depois. Sem oferecer respostas fáceis, o livro mostra como o medo e o controle atravessam gerações. O tema tornou o debate especialmente oportuno, uma vez que o enfrentamento da violência contra a mulher não pode ficar restrito ao espaço privado: é uma responsabilidade de toda a sociedade.

Ao fim do encontro, os integrantes votaram a leitura de setembro. O escolhido foi Coração tão branco, de Javier Marías, um dos nomes centrais da literatura espanhola contemporânea. Publicado originalmente em 1992, o romance acompanha Juan, intérprete e tradutor recém-casado com Luisa, enquanto ele se aproxima de um segredo mantido por sua família durante muitos anos.

A história parte do suicídio de Teresa, irmã da mãe de Juan e uma das antigas mulheres de seu pai, Ranz. Em torno desse episódio, Marías constrói uma investigação sobre casamento, culpa, silêncio e os riscos do conhecimento. O narrador vive do ofício de ouvir e traduzir as palavras dos outros, mas começa a desconfiar de que certas revelações, uma vez pronunciadas, podem transformar para sempre aqueles que as recebem.

Grupos de leitura ajudam a retirar o livro do isolamento sem transformar a conversa numa busca por interpretações definitivas. Quando diferentes leitores se sentam à mesma mesa, passagens ganham novos sentidos, certezas são contestadas e temas difíceis podem ser enfrentados com atenção. O valor desses encontros está justamente aí: cada participante leva consigo uma leitura, mas volta para casa conhecendo também as leituras dos outros.

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Ao Pé do Livro está no Instagram em @aopedolivro

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