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Panorama Político, por João Zisman

Arruda debate com olho na Justiça e outro no eleitor

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Autor/Imagem:
João Zisman - Foto de Arquivo

A terça-feira começa melhor para o Governo do Distrito Federal do que parecia provável até ontem. A greve do Metrô, que poderia transformar uma negociação trabalhista em problema imediato para milhares de passageiros, foi adiada após mediação do Tribunal Regional do Trabalho. A pressão não desapareceu, mas saiu da plataforma e voltou para a mesa de negociação justamente no dia em que Celina Leão enfrentará seus principais adversários no debate promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília.

A coincidência ajuda a definir a agenda política do dia. Celina chega ao debate na liderança das pesquisas e sem precisar responder, nesta noite, por uma cidade submetida aos efeitos de uma paralisação do transporte. José Roberto Arruda, seu principal adversário, entra pressionado por uma questão de natureza completamente diferente: a Procuradoria Regional Eleitoral reiterou o entendimento de que ele permanece inelegível até dezembro de 2030.

O encontro desta noite, portanto, ocorre com os dois primeiros colocados submetidos a pressões distintas. Celina terá de defender o governo e administrar o peso de ser favorita. Arruda precisará sustentar uma candidatura competitiva enquanto sua presença na urna ainda depende de uma decisão judicial.

Os metroviários decidiram na noite de segunda-feira não iniciar a paralisação prevista para esta terça. A decisão ocorreu depois da atuação do TRT da 10ª Região na mediação entre trabalhadores e governo, e uma nova assembleia está prevista para 15 de setembro.

Para o GDF, o adiamento representa um alívio imediato. Evita transtornos no deslocamento de milhares de pessoas e impede que a campanha acorde hoje sob imagens de estações fechadas, ônibus sobrecarregados e trânsito ainda mais pressionado.

Seria um erro, entretanto, interpretar o adiamento como solução. A reivindicação por novo concurso público permanece, assim como questões relacionadas ao acordo coletivo, condições de trabalho e segurança. O último concurso do Metrô ocorreu em 2013 e o governo informa que o processo para uma nova seleção já tramita administrativamente.

O mês de agosto ainda deixou uma sequência de problemas operacionais no sistema. Falhas, panes, furtos de cabos e interrupções deram material suficiente para que a oposição mantenha o transporte público entre os assuntos de cobrança.

A greve saiu do calendário de hoje, mas a discussão sobre o Metrô continua nele.

Do outro lado do trilho que leva às urnas, a Procuradoria Regional Eleitoral reiterou ao TRE-DF o pedido de impugnação do registro de José Roberto Arruda, sustentando que o ex-governador permanece inelegível até dezembro de 2030 em decorrência de condenações por improbidade administrativa.

A defesa contesta esse entendimento e sustenta que Arruda possui condições jurídicas para disputar a eleição. A decisão caberá à Justiça Eleitoral.

Politicamente, a situação produz uma circunstância peculiar. Arruda continua aparecendo como principal adversário de Celina nas pesquisas e participa normalmente da campanha, mas precisa disputar votos enquanto também disputa o direito de permanecer na própria eleição.

Essa incerteza interessa não apenas às duas candidaturas que hoje lideram. Leandro Grass, Paula Belmonte, Ricardo Cappelli e os demais concorrentes precisam calcular suas estratégias diante de um adversário eleitoralmente forte cuja permanência na urna ainda está submetida ao Judiciário.
Enquanto não houver decisão, nenhum dos dois cenários pode ser tratado como definitivo.

A pesquisa Igape/Record News colocou Celina Leão com 35,4% das intenções de voto, contra 24,3% de Arruda e 10,7% de Leandro Grass. Paula Belmonte aparece com 4,8% e Ricardo Cappelli com 3,8%. Mais importante do que transformar uma pesquisa em fotografia definitiva é observar a posição que ela impõe aos candidatos.

Celina entra no debate desta noite com menos necessidade de atacar do que seus adversários. Liderar permite administrar a exposição, mas também transforma a candidata governista no alvo mais óbvio da bancada.

Arruda precisa confrontá-la sem deixar que sua situação jurídica engula sua participação. Grass, Cappelli e Belmonte enfrentam outro desafio: usar o espaço de igualdade proporcionado pelo debate para reduzir uma distância que o horário eleitoral, pela distribuição desigual do tempo, dificilmente oferece condições de superar sozinho.

É provavelmente aí que estará o maior interesse da noite. Mais do que procurar um vencedor instantâneo, será útil observar quem consegue alterar o lugar que atualmente ocupa na campanha.

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