Curta nossa página


Panorama Político, por João Zisman

Arruda planta broto de raiz na guerra judicial

Publicado

Autor/Imagem:
João Zisman - Foto de Arquivo

O fato central sobre José Roberto Arruda não é mais o indeferimento decidido pelo TRE-DF na quinta-feira. A decisão está incorporada ao cenário. O ex-governador recorre ao TSE e pode continuar realizando atos de campanha enquanto seu registro permanece sub judice.

Durante o fim de semana, Arruda afirmou que o PSD não trabalha com substituição e manteve agendas de campanha. Isso reduz, pelo menos neste momento, a especulação sobre um plano alternativo dentro do partido. O próximo fato realmente capaz de modificar essa situação deverá vir da tramitação do recurso no TSE.

Politicamente, a questão passa a ser outra: por quanto tempo a situação jurídica permanecerá ocupando espaço que as campanhas também pretendem utilizar para discutir governo, propostas e comparação entre candidaturas. Não há, até agora, dado suficiente para estabelecer efeito eleitoral direto da decisão do TRE.

O fim de semana acrescentou outro capítulo à judicialização da campanha. O TRE-DF determinou a retirada de uma publicação de Arruda que atribuía a Gustavo Rocha, vice de Celina Leão, o recebimento de R$ 6,3 milhões de Daniel Vorcaro por intermédio de Engels Muniz.

A decisão considerou que a peça apresentava informação descontextualizada e fato sabidamente inverídico, estabelecendo prazo para retirada e multa em caso de descumprimento. A decisão é liminar e o processo ainda seguirá sua tramitação.

O episódio ganha dimensão quando colocado na sequência dos últimos dias. A Justiça Eleitoral já foi chamada a decidir sobre propagandas envolvendo a trajetória e a situação jurídica de Arruda e também suspendeu, no sábado, uma peça da campanha de Celina por descumprimento das regras relativas à participação de apoiadores.

A judicialização da propaganda começa, portanto, a formar uma pauta própria dentro da eleição do DF.

A pesquisa Igape divulgada no domingo mostra Celina Leão com 36,5%, José Roberto Arruda com 20,7% e Leandro Grass com 13,8%.

O dado relevante vem acompanhado de uma limitação importante. A coleta ocorreu entre 31 de agosto e 5 de setembro. O TRE julgou Arruda na quinta-feira, dia 3. Parte das entrevistas ocorreu antes da decisão e parte depois.

Por isso, o levantamento não permite estabelecer uma relação direta entre a movimentação dos números e o julgamento. A referência mais adequada para observar eventual repercussão eleitoral será uma pesquisa cujo trabalho de campo tenha começado integralmente depois da decisão.

O calendário eleitoral praticamente elimina o conceito tradicional de feriado para os candidatos.

As agendas desta segunda incluem participação ou presença nas comemorações da Independência, panfletagens, reuniões, gravações e atividades nas regiões administrativas. A concentração de público na área central transforma o 7 de Setembro também em oportunidade de exposição presencial.

Mesmo com o peso crescente das redes sociais, segmentação digital e novas ferramentas tecnológicas, feiras, ruas, comércio, terminais e eventos públicos continuam ocupando parcela significativa das agendas.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.