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Equívocos femininos

Às mulheres com o carinho e o afeto de quem faz tempo sabe quem manda são elas

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto Editoria de Imagens/IA

Desde muito jovem sou um ferrenho adepto da tese de que, nas trincheiras da alegria, o que deve explodir é o amor. É assim que devem ser as festas do interior. Apesar do peso do tempo, a minha é e sempre será assim. Por exemplo, jamais discordo da mulher com a qual divido o mesmo teto há 40 anos. Às vezes, temos nossas diferenças. Melhor dizendo, às vezes ela se equivoca. Por isso, não discuto, porque, no fim das contas, é a patroa quem está certa. E ai de nós, os chamados bons moços, se reagirmos, ainda que por motivos justos. Como diz na gíria feminista: é caixão e vela preta.

Antes de prosseguir com a narrativa de endeusamento das moças que são a razão da vida dos homens, não custa lembrar aquela velha história da chegada de 100 mulheres no céu. Tão logo adentraram o recinto, Deus, assessorado por São Pedro, o santo das chaves, perguntou: – Qual de vocês já mexeu no celular do marido sem que ele percebesse? A que for responder positivamente que chegue mais perto. De acordo com as anotações de São Pedro, 99 das mulheres presentes no purgatório se aproximaram. Só uma ficou onde estava. Aos gritos, Deus ordenou: – Tragam a surda também.

Respeito tanto as mulheres que, por razões óbvias, nunca faço piada de mau gosto com elas. Eu não faço, mas tem que faça. São os corajosos de plantão. Um amigo distante – os próximos eu expulso do convívio – contou em uma roda que, numa daquelas noites de preliminares sem muita convicção, a esposa perguntou que tipo de mulher ele procurava até conhecê-la. Errou quem imaginou professora, advogada, juíza, bombeira, atriz, cantora de forró ou coronel da Polícia Militar.

Sem preocupações futuras, o sujeito respondeu de chofre que sua preferência sempre foi pela mulher lua. Lisonjeada, a companheira pensou em voz alta nos adjetivos bonita, brilhante e reluzente. Embora honesta, a resposta poderia ter ficado para o dia de São Nunca: – Que ela venha de noite e vá embora de dia. O dito cujo, quase um de cujus, acabou sem os caninos e teve de ficar duas semanas e meia sem o lesco lesco diário. Na verdade, depois do fiasco da alcova, o lesco lesco passou a ser devezquandário.

Não corro esse risco. Aliás, fujo do perigo bem antes de ele aparecer. E tenho bons motivos para isso. Em um dia de aflição política, do tipo escolha patética e exclusivamente entre a direita e a extrema-direita, decidi ir ao boteco defronte à minha casa. Lá chegando, me deparei com uma jovem senhora, aparentemente com o mesmo problema psíquico. Me aproximei e gentilmente ofereci um uísque. Com a mesma gentileza, a moça respondeu que não aceitaria porque destilados lhe fazem mal às pernas.

Como todo fanático por mitos, indaguei se suas pernas inchavam. “Não, elas abrem!”. É claro que nunca mais voltei ao boteco da perdição. Hoje, vivo no recesso do lar e, após a descoberta do Viagra, com dedicação quase horária. Ainda que tenha custado alguns reais, devo essa nova alegria a meu neto mais velho. De saco cheio do esvaziamento do saco, percebi no bolso esquerdo do mancebo os tais azulinhos. Pedi para experimentar, mas o menino fez tantas recomendações que quase desisti.

– Vô, vai fundo, mas aproveite bem, pois cada um desses comprimidinhos custa R$ 50 paus”. Mesmo chocado com o preço, fui fundo. No dia seguinte, no café da manhã, resolvi devolver o dinheiro. Coloquei no mesmo bolso esquerdo um envelope com R$ 200. Surpreso, o neto me disse por meio de um embargo auricular que eram somente R$ 50. Sorrindo, respondi que sabia. Na verdade, eu devolvi exatamente os R$ 50. Os R$ 150 restantes foram da avó. Como vêem, não questiono as decisões da patroa, principalmente se elas agradam mais do que desagradam. Faz tempo que eu descobri quem manda.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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