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Solidão

As pessoas estão sozinhas mesmo quando não estão

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão solitários.

Conversamos o dia inteiro, mas raramente falamos sobre aquilo que realmente dói. Compartilhamos fotos, opiniões e rotinas, mas escondemos colapsos emocionais atrás de ironias e produtividade.

Bauman descrevia os vínculos contemporâneos como líquidos: relações rápidas, frágeis e constantemente ameaçadas pela lógica do descarte.

As pessoas têm medo de parecer intensas. Medo de precisar demais. Medo de demonstrar afeto em excesso. Então aprendem a performar desapego enquanto adoecem silenciosamente.

Talvez a solidão contemporânea não seja ausência de companhia. Talvez seja ausência de profundidade.

E existe algo profundamente político nisso. Porque sujeitos emocionalmente isolados são mais fáceis de controlar, explorar e individualizar.

Quando todo sofrimento parece exclusivamente pessoal, esquecemos de perguntar quais estruturas sociais produziram esse sofrimento.

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