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Mulher

Até onde você aceita suas recompensas?

Andrea Pavlovitsch

É um mundo louco, caótico. E você aprendeu, desde muito pequeno, que as coisas são difíceis. Relacionamentos são difíceis, ganhar dinheiro é complicado. Se alguém vier com alguma coisa muito fácil, desconfie. Quando a esmola é demais… Lembra? Ninguém dá nada de mão beijada. Não existe almoço grátis. Sim, todas essas premissas são verdadeiras e não adianta querer as coisas sem fazer um esforço para isso.

Mas e quando não nos damos conta de que, sim, conseguimos? De que, sim, temos crédito por aqui e merecemos. E continuamos tentando, sem parar, como se nunca fosse o suficiente? Como se tudo aquilo que fizemos, todo o esforço até então, não tivesse valido de nada? Como se carregássemos uma culpa pungente que nos faz pagar por pecados que nem sequer cometemos.

A cultura vigente é baseada nisso: culpa e noções de pecado. O que você faz e o que te dá prazer é considerado mal, pecado. Como alguém pecador, que erra feio na maior parte do tempo, pode querer e reinvindicar uma recompensa? Só nos resta trabalhar e trabalhar. Nadar, nadar e sempre, invariavelmente, morrer na praia.

Todo mundo conhece histórias de pessoas que ganharam grandes boladas de dinheiro, por exemplo. Um prêmio da loteria, uma herança de um tio desconhecido ou qualquer coisa assim. E menos de um ano depois já não tinham mais nada. Existe até um filme (uma trilogia, na verdade) chamada “Até que a sorte nos separe” que conta isso: como ele consegue torrar tudo o que ganha na loteria, rapidamente e de modo absolutamente irresponsável.

Grande parte disso é o achar que não merecemos a recompensa e que, se ela veio parar nas nossas mãos, é porque alguma coisa deu errado. Não pensamos que sim, trabalhamos para aquilo. Que, mesmo que uma recompensa venha de outro modo que não diretamente do trabalho, ela tem valor. Ela é fruto dos seus pensamentos prósperos, da bondade que você já colocou no mundo. Ela é fruto até de outras encarnações, vai saber. Temos dificuldade de aceitar porque acreditamos na falta, que não é para gente e que podemos “ter menos”.

Podemos ter mais, ser mais. Podemos ter acesso e merecimento a tudo o que queremos: dinheiro, bens, viagens, amor, sucesso, paz. Basta que, em algum momento, essa culpa cristã não nos sabote. Não coloque minhocas na nossa cabeça e nos faça pensar melhor no que o Universo está reservando para gente. Se você faz por onde, você merece! E ponto final. Bora lá pegar seu prêmio!

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