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Vizinho barulhento

Aurora e o marido Horácio, salvo pela brava Lúcia

Publicado

Autor/Imagem:
Eduardo Martínez - Foto Produção Irene Araújo

Domingo, 6h36, Aurora é despertada pelo barulho vindo da casa do vizinho. Marretadas em cima de marretadas. Ela sacode o marido ao lado.

— Acorda, Horácio!

— Hum. O que foi?

— Olha o barulho que o vizinho tá fazendo.

O homem encara a esposa e pensa por algum instante. Ele vira o rosto contra o travesseiro, mas Aurora quer porque quer que o esposo tome uma atitude.

— Vai lá!

— Fazer o quê?

— Você é o homem da casa. Resolva!

Horácio percebeu que aquela discussão estava perdida e, então, tratou de calçar o chinelo. Ele, que não possuía predisposição para brigas, não queria criar pendenga justamente com o vizinho. De pé à porta do quarto, virou-se para a esposa.

— Não é melhor deixar isso pra lá, amor?

— Anda logo, homem! Aproveita e dê uma volta com a Cacau.

A cachorra, coleira na boca, já aguardava o homem. Ele se agachou para colocar a coleira na Cacau, que lhe lambeu o rosto. Horácio aproveitou e comentou bem baixinho: “Cacau, minha filha, hoje a sua mamãe acordou com a macaca!”

Já na rua, Horácio e Cacau passaram em frente à casa do vizinho. O barulho das marretadas parecia ainda mais forte. Deu alguns passos em direção ao portão, mas acabou desistindo. Primeiro daria uma volta com a cachorra e, depois, conversaria com o tal homem barulhento.

O passeio foi muito mais longo do que de costume. Cacau, talvez percebendo o imbróglio que Horácio iria se meter, fez questão de caminhar além das duas ruas abaixo. Quase uma hora após, cansados, retornaram, quando perceberam a Lúcia, também moradora do local, caminhando furiosa em direção à casa do vizinho.

Sem papas na língua, a mulher só não chamou o barulhento de santo. Este pediu mil desculpas e prometeu que aquilo jamais se repetiria. Tudo resolvido, o silêncio voltou a reinar naquele domingo.

Horácio retornou para o lar, doce lar, onde foi recebido pela esposa, que lhe deu aquele abraço e um beijo carinhoso nos lábios. Ele nem teve tempo de explicar o que havia acontecido, quando Aurora, com cara de satisfação, suspirou.

— Meu bem, sempre soube que me casei com o homem certo!

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