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Segredo

Aurora

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

A Canção das Auroras, bruma não se desfaz: habita em mim como segredo,
como sonho que insiste em permanecer desperto,
transforma-se em pulsar, em caminho, em sopro.
Vejo o sol tímido nascer por trás das águas imensas,
e a névoa que me envolveu na noite passada
se veste de pérola, de rosa, de claridade,
aquela cor que só quem carrega mundos no coração sabe criar.
A chuva não se desfaz: grava sua memória em mim.

Brilha em cada folha que encontro, em cada fio de vida,
na fronte que sente o frescor da manhã,
na mão que segura outra mão,
na lembrança que guarda vozes ancestrais,
tesouros que se tornam versos eternos.
Agora compreendo seu sentido pleno:
Ontem, ela me acolheu para que eu repousasse,
para que eu sentisse que também pertenço a este chão,
depois de atravessar rios, planícies e montanhas
até chegar ao abraço desta terra.
Hoje, ela purifica minha alma para que eu continue escrevendo,
para que eu continue narrando nossas histórias.
Não é a névoa que oculta:
é a essência desta terra se tornando luz,
dizendo que o sublime não vive apenas no silêncio,
mas em cada passo que sigo adiante.

O que parecia escondido agora resplandece em mim:
Sou o sopro que desceu do céu,
sou a claridade que a bruma guardava,
sou viajante, filha, sonhadora,
sou cada terra que carrego dentro de mim,
e tudo o que toco com minha palavra se torna eterno nas páginas de um livro.
Sou a nostalgia das canções que você escuta no rádio, sou a saudade escondida no cantinho do teu olhar, a melancolia que carregas na alma.
Sou essência, lágrimas, noites solitárias e canções por ser escritas.

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