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Complicações da seca

Baixa umidade do ar acende alerta para os cuidados com o estado de saúde

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Autor/Imagem:
Malu Oliveira, Edição - Via Empório Comunicação/Foto Divulgação

Setembro marca um dos períodos mais críticos da seca em Brasília, quando a umidade relativa do ar atinge níveis bastante baixos e coloca a Capital Federal em estado de atenção. Nessa época do ano, é comum que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emita alerta vermelho, o mais elevado da escala, devido ao aumento do risco de incêndios florestais e aos impactos provocados pela baixa umidade na saúde da população.

O tempo seco compromete mecanismos naturais de proteção do organismo e favorece o surgimento ou agravamento de doenças respiratórias, além de alterações na pele e nos olhos. De acordo com a pneumologista do Hospital DF Star, da Rede D’Or, Milena Zamian, as consequências podem ser significativas.

“Devido à perda de umidade das secreções que revestem as mucosas das vias aéreas, há diminuição da capacidade de defesa contra microrganismos, predispondo a infecções respiratórias. A maior quantidade de poeira suspensa no ar é um fator agravante e afeta principalmente os portadores de asma e rinite”, explica a pneumologista.

Os efeitos da baixa umidade tornam-se ainda mais preocupantes entre crianças e idosos, grupos que apresentam maior vulnerabilidade à desidratação e às complicações decorrentes das infecções.

“Há um maior risco de desidratação e maior chance de gravidade e complicação das infecções. Os idosos têm uma percepção diminuída da sede, tendendo naturalmente a ingerir menos líquidos, e as crianças pequenas muitas vezes dependem de terceiros para uma boa hidratação, o que também coloca esses grupos em maior risco de complicações”, alerta Milena.

Segundo o pediatra e coordenador de pediatria do Hospital Santa Helena, da Rede D’Or, Thallys Ramalho, características fisiológicas dessas faixas etárias contribuem para uma perda mais acentuada de água pelo organismo, tornando essencial reforçar a hidratação diária e observar possíveis sinais de desidratação.

“Mesmo quando desidratados, idosos e crianças não costumam sentir sede para uma reposição efetiva do déficit de água. Nessas faixas etárias, a desidratação pode ter consequências mais graves, como por exemplo, insuficiência renal. Crianças desidratadas apresentam irritabilidade, alteração do humor e principalmente diminuição da quantidade de urina. A redução considerável da quantidade de urina, que em bebês pode ser percebida como diminuição da troca de fraldas, também é um grande alerta para desidratação”, explica o pediatra.

Além das crianças e dos idosos, profissionais que exercem suas atividades ao ar livre também merecem atenção especial durante a estação seca. Frentistas, garis, vendedores ambulantes e outros trabalhadores expostos ao sol e ao vento perdem líquidos com mais facilidade, o que aumenta o risco de desidratação.

“A exposição ao vento e ao sol aumenta a perda de líquidos corporais e acentua a desidratação. Essas pessoas devem redobrar o cuidado com a hidratação, aumentando a ingestão de água, sucos e água de coco e, se possível, evitar esforços extenuantes durante o período mais quente do dia, que vai das 10h às 16h”, afirma a pneumologista Milena Zamian.

Para minimizar os impactos do tempo seco, os especialistas recomendam aumentar a ingestão de água ao longo do dia, manter a pele hidratada, utilizar protetor solar e fazer a hidratação das mucosas nasais e oculares com soro fisiológico. O uso de chapéus, bonés e roupas que protejam a pele da exposição solar também contribui para reduzir os efeitos provocados pela baixa umidade, especialmente nos períodos mais quentes do dia.

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