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Tiro ou traque?

Bajulador sem propósito, Flávio só quer vantagem

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Reprodução das Reds Sociais

Algumas frases parecem ter sido talhadas para determinados seres humanos, sejam eles pessoas comuns, autoridades ou candidatos a personalidades. Em uma rápida e informal pesquisa, escolhi algumas expressões que certamente foram pensadas pensando no senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), bajulador com firma reconhecida daqueles que, na sua avaliação, podem lhe render futuros votos.

Entre tantas, uma das mais significativas diz que o bajulador ou descendente de puxa-saco de superiores sempre escolhe o lado da vantagem, mesmo que isso signifique viver sem propósito. Se sujeitar a entrar (nada mais do que isso) no gabinete do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conversas pífias destinadas a aparentar uma falsa sensação de poder, ser fotografado, e, daí, se mostrar para o Brasil com uma importância que a maioria do povo sabe que ele não tem, pode ter efeito contrário ao que ele e seu staff imaginaram.

O vazamento de uma suposta intimidade com o banqueiro Daniel Vorcaro rendeu para Flávio Bolsonaro mais dores de cabeça e provavelmente nenhum voto. Pelo contrário. Ou seja, o que foi sonhado como um tiro de canhão na Casa Branca, talvez não passe de um traque nas ruas, praças e avenidas do Brasil, pois, já escolado e calejado, o povo brasileiro aprendeu com o tempo que, lamber botas, é o segredo do sucesso de muitas pessoas que nada têm para mostrar de útil.

Em outras palavras, onde o baba-ovo prospera, o talento começa a pedir demissão. Com base nesta afirmação e seguindo minha certeza de que a bajulação destrói a confiança, mascara a realidade e trava o desenvolvimento pessoal, normalmente tenho muito cuidado com os bajuladores. Sem exceção, esses tipos alimentam quem os procuram com uma colher vazia. Me aproveitando de um desses memes que recebo diariamente, digo, sem margem de erro, que todo bajulador é falso, perigoso e parecido com o carvão: apagado ele nos suja, aceso nos queima.

Ao longo de minha vida como cidadão e, principalmente, como jornalista político, aprendi a admirar, reconhecer e até elogiar os homens públicos de valor. Doutor Ulysses Guimarães, Paulo Brossard, Mário Covas, Franco Montoro, Nelson Carneiro, João Francisco de Araújo, Teotônio Vilela, Fernando Henrique Cardoso e Jarbas Passarinho fazem parte de minha preciosa lista de valiosas autoridades. Reiterando o respeito aos ilustres e convicto da desonestidade explícita do bajulador, confesso que faltei a aula de bajulação. Por isso, me limito à reverência aos citados.

Também bajuladores eméritos, os colaboradores do candidato da extrema-direita são incapazes de informá-lo que os dependentes de bajulação são presas fáceis para os bajulados, os quais raramente precisam ficar de tocaia para desmascará-los. Exemplo vivo do bajulador familiar, Flávio Bolsonaro passa a imagem de uma pessoa insegura, que reconhece sua incapacidade de realizar alguma coisa e, para conseguir seus objetivos, é capaz de idolatrar quem possa lhe servir de degrau. A conclusão é simples: que triste deve ser a vida do bajulador. Como ele sabe que nada do que faz tem valor, é mais fácil se tornar especialista na arte da bajulação. A família Bolsonaro é catedrática na matéria.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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