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Vai ou racha

Banco Central aperta mais o cerco ao BRB

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto de Arquivo

O Banco Central começou a intensificar o acompanhamento sobre o Banco de Brasília (BRB) no momento em que a instituição busca concluir sua reestruturação após a crise provocada pelas operações com o Banco Master. O movimento ficou evidente nesta segunda-feira (27), quando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, recebeu, em reunião reservada, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. O encontro ocorreu entre 15h30 e 16h30, sem divulgação de detalhes sobre as discussões.

Além dos dois dirigentes, participaram da reunião o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, e a diretora de Controle e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa. Na agenda oficial de Galípolo, o compromisso aparece apenas como destinado a tratar de “assuntos institucionais”. O BRB também optou por não divulgar comunicado após o encontro.

Embora reuniões entre regulador e instituições financeiras façam parte da rotina do sistema bancário, a presença simultânea do diretor responsável pela fiscalização do BC e da executiva encarregada da gestão de riscos do BRB ocorre em um momento especialmente sensível para o banco, que ainda busca cumprir todas as exigências necessárias para viabilizar o pacote de recomposição patrimonial de R$ 6,6 bilhões.

A área comandada por Ana Paula Teixeira de Sousa é responsável pelo monitoramento dos riscos operacionais, pela prevenção de falhas e fraudes e pelo acompanhamento de situações que possam comprometer a solidez da instituição. A participação da diretora na reunião reforça o caráter técnico do encontro e sinaliza que o Banco Central acompanha de perto a evolução das medidas adotadas pelo BRB.

No fim de junho, o Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do banco, firmou acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar uma operação de R$ 6,6 bilhões destinada à recomposição patrimonial da instituição em razão das perdas relacionadas ao Banco Master.

Além desse montante, o GDF deverá aportar aproximadamente R$ 2,2 bilhões em recursos próprios, após promover ajustes fiscais e readequar parte dos investimentos previstos no orçamento.

Apesar da homologação judicial, a operação ainda depende da assinatura dos contratos com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), da formalização das contragarantias à União e da conclusão das auditorias independentes, etapas consideradas essenciais para a liberação dos recursos.

As negociações continuam enfrentando dificuldades. Instituições financeiras privadas envolvidas na operação defendem que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil participem da estrutura de garantias, compartilhando o risco de eventual inadimplência do BRB. O desenho definitivo da operação ainda está em discussão.

Paralelamente, o banco trabalha para fortalecer sua liquidez. Nesse contexto, ganhou relevância o encerramento, no último dia 17, das negociações com a gestora Quadra Capital. A operação previa a transferência de ativos relacionados ao Banco Master para um fundo de investimentos, permitindo ao BRB converter parte de ativos de menor liquidez em recursos financeiros de realização mais rápida.

Embora o acordo não representasse aumento de capital, ele era visto pelo mercado como um instrumento capaz de melhorar a posição de liquidez da instituição. Com o distrato, o BRB precisou buscar alternativas para administrar esse desafio.

Outro ponto acompanhado de perto pelo Banco Central é a divulgação das demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025. A publicação do balanço integra o conjunto de exigências necessárias para a conclusão da reestruturação e permanece pendente.

Enquanto as demonstrações financeiras não são apresentadas, permanecem válidas as medidas administrativas previstas na regulamentação aplicável, entre elas sanções relacionadas ao atraso na entrega das informações obrigatórias.

A reunião desta segunda-feira dá continuidade ao diálogo entre o Banco Central e as autoridades do Distrito Federal. No último dia 14, a governadora Celina Leão também esteve com Gabriel Galípolo e Nelson Antônio de Souza em Brasília. Na ocasião, classificou o encontro como técnico e não revelou o conteúdo das conversas.

A sequência dessas reuniões indica que o processo de recuperação do BRB permanece sob acompanhamento permanente do órgão regulador, responsável por verificar o cumprimento das exigências prudenciais e assegurar que as medidas de fortalecimento patrimonial sejam implementadas conforme os parâmetros estabelecidos para o sistema financeiro nacional.

Também nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, que o patrimônio do BRB foi comprometido por operações envolvendo ativos do Banco Master.

Segundo o ministro, o banco adquiriu carteiras de baixa qualidade que resultaram em perdas bilionárias. Ao comentar o episódio, Durigan declarou que a instituição “basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada”, em referência à qualidade dos ativos incorporados na operação.

As declarações reforçam a avaliação de que a recuperação do BRB dependerá não apenas da recomposição de capital, mas também da conclusão das auditorias, da transparência na divulgação dos resultados e do cumprimento das exigências impostas pelo Banco Central, que mantém vigilância permanente sobre o processo de reestruturação.

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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