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O artroto

Beber uma Coca vira fuga para esquecer mortes

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Autor/Imagem:
Eduardo Martínez - Foto de Arquivo

Maria Amélia e Maria Amália eram gêmeas há quase um século, bem antes do Nilton Santos desfilar toda a sua elegância alvinegra pelos gramados mundo afora. Maria Amélia havia se casado e, segundo suas próprias palavras, enviuvado graças a Deus. Maria Amália, mais sábia, preferiu degustar todo o banquete que a vida lhe ofereceu.

As duas velhas caminharam, como de costume, até as areias de Copacabana, onde estenderam as cangas e abriram as cadeiras. Ora deitavam seus corpos quase nus, se não fossem por aquelas pequenas peças cobrindo suas partes; ora sentavam em frente ao mar, mas sem qualquer preocupação em contar as ondas, que vinham, que iam. Quase distraídas, não perceberam a aproximação da Sarah, conhecida de longa data.

– Olá, meninas! Tomando um solzinho?

– Oi, Sarah! Como vai?, Maria Amélia respondeu, enquanto Amália apenas fez um quase imperceptível aceno com a cabeça.

Conversa vem, conversa vai, a Sarah não parava de falar sobre os últimos amigos que haviam virado defunto. Até que a Maria Amália, já cheia da voz esganiçada da quase amiga, disse:

– Que conversa ruim! Vou ali tomar uma coquinha pra arrotar!

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