Aqui se faz...
Bolsonaro fez por merecer e está de volta à carceragem
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Com todo respeito à família, mas o ex-presidente Jair Bolsonaro cometeu um crime e, como qualquer cidadão, tem de pagar por ele. E, como todos lembram, não foi um crime qualquer. O fato de estar se convalescendo de uma cirurgia de porte médio não o impede de voltar à carceragem da Polícia Federal para cumprir sua pena de 27 anos e quatro anos. Me perdoem a sinceridade, mas eu não quero ser preso. Por isso, não roubo, não mato, não estupro e não me envolvo em golpes contra a democracia. De forma mais clara, se não quero colher cebolas não devo plantá-las. Simples assim!
Para quem não se lembra, o próprio ex-presidente já se manifestou nesse sentido. Ao se referir a Adélio Bispo de Oliveira, que o atacou com uma faca durante a campanha eleitoral de 2018, Jair Messias defendeu a necessidade de se acabar com essa história de ficar com pena de encarcerado. “Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer besteira que não vai para lá. Quem está lá fez por merecer”. Pronto! Considerando que ninguém brinca de dar golpe ou de articular assassinatos de adversários, não falemos mais nisso.
Como quem com ferro fere, com ferro será ferido, ele fez por merecer. Embora criticar Deus e o mundo faça do DNA da família, não há que se falar em direitos humanos ou em tortura por parte do ministro Alexandre de Moraes, conforme anda apregoando o senador Flávio Bolsonaro, o filho 01. Cumpridor de leis, Moraes não é burro e, como a maioria dos brasileiros, sabe que a saúde do ex-presidente ainda não exige recolhimento domiciliar. No dia que houver necessidade, o ministro certamente será o primeiro a se manifestar.
Basta rememorar o velho bordão pimenta no fiofó dos outros é refresco para entendermos que, mais uma vez, o pretenso candidato Flávio Bolsonaro está jogando para a plateia. Chamar Alexandre de Moraes de torturador por impedir o pai de se refestelar como um herói no sofá de casa é o mesmo que avaliar como novela das seis a fracassada, mas brutal tentativa de golpe para derrubar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, um dos jurados de morte pelos estagiários de golpistas.
Não é por culpa de Alexandre de Moraes que o rei está nu. Nu e mal pago. Um dos maiores defensores do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, o coronel que matava rindo, Jair Bolsonaro entrou na política por meio das ficção literária. Deputado federal das histórias da carochinha, do nada se transformou em presidente de uma república que só saiu do papel depois de sua expulsória pela porta dos fundos. Sabemos todos que, mais do que dantesco, o roteiro familiar é dramático e de fazer inveja aos melhores e mais assíduos novelistas da Globo Luxo. A vida é assim. É como um restaurante, de onde ninguém sai sem pagar.
Aqui se faz, aqui se paga. Tudo na vida tem preço e Deus, Aquele mesmo que já esteve acima de tudo e de todos, não é loja de departamento para dar desconto. Contrariamente ao que dizem seus familiares e seguidores, Jair Bolsonaro não está sendo castigado pelo STF. Sua condenação é apenas uma consequência. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. É a lei do retorno, a que devolve tudo que se faz de errado para alguém. E ele não trabalha com cheque, tampouco com cartão de crédito. O pagamento é a vista. Cedo ou tarde, a realidade bate à porta. Resumindo a vida ao óbvio, ela é como um bumerangue: tudo que vem tem volta.