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Romantismo Brasileiro

Borboleta e Raio do Sol

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Autor/Imagem:
Sousândrade

Da selva frondosa
Na sombra acordou
Gentil pousalousa
Centelha, voou.

E as aves trinaram
E a brisa correu
E as ondas rolaram
De azul como céu:

Que doce harmonia!
Que amena soidão
Raiando do dia
A luz! E a visão

Do sol, que aparece
Dentre oiro e rubi,
Dos montes, e desce
Dos vales. Eu vi

Gentil pousalousa
Qual olhos de amor,
Turbada – encantada
No prado e na flor.

E os raios em molhos
sol s’ergue aos céus,
E a louca é qual olhos
Aos vãos escarcéus:

Nos bosques, agora,
Na várzea de luz,
No lago de aurora
Que a chama e seduz,

Dos bosques, perdida
No aroma, no amor,
Aos raios erguida
Balança-se a flor…

O aéreo amaranto
Quem viu? – Se perdeu.
Dizei dela o encanto:
Amou e… morreu.

Que sorte minguada!
Que triste existir
Da vida irradiada
De glória e de rir!

Mas – que nos importa
Ser onda ou ser Théos,
Se o mar não aporta
Pra fora dos céus?

…………….

Joaquim de Sousa Andrade, mais conhecido como Sousândrade (1833–1902), foi um escritor, poeta e educador maranhense. Considerado um precursor da poesia moderna no Brasil, sua obra visionária antecipou o uso de neologismos, estrangeirismos e críticas sociais. Ele também criou a atual Bandeira do Maranhão.

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