Curta nossa página


BC sem autonomia

Boulos dá a entender que só decreto pode baixar juros

Publicado

Autor/Imagem:
@donairene13 - Divulgação

Em entrevista recente, Guilherme Boulos classificou como “decepcionante” o trabalho de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central e criticou o “ritmo de tartaruga” da redução dos juros. É difícil discordar da cobrança. A Selic ainda está em 14% ao ano, e os juros reais brasileiros continuam entre os mais altos do mundo, encarecendo o crédito, dificultando investimentos e freando o consumo e o crescimento da economia. Galípolo foi indicado por Lula justamente depois de anos de duras críticas do presidente à política de juros altos, mas, até agora, a mudança esperada ocorreu de forma muito lenta.

Boulos também tocou em outro ponto importante ao questionar a autonomia do Banco Central: “Quantos votos tem o presidente do BC? Nunca vi o nome dele na urna”. A frase provoca uma discussão legítima. As decisões do Banco Central têm enorme impacto sobre emprego, crédito, investimentos, crescimento econômico e, consequentemente, sobre o desempenho do próprio governo. Lula foi eleito apresentando um projeto econômico e tem reclamado repetidamente dos juros elevados. Ainda assim, uma das decisões mais importantes para determinar os rumos da economia fica nas mãos de uma autoridade que possui mandato próprio e não pode ser substituída simplesmente porque sua política diverge da orientação do governo eleito.

A autonomia do Banco Central foi criada com o argumento de proteger a política monetária de interferências eleitorais de curto prazo. Mas isso não significa que o modelo não possa ser questionado. Se as escolhas do presidente do BC atingem diretamente a economia e podem inclusive comprometer os resultados de um governo escolhido pelo voto popular, é razoável discutir até onde deve ir essa independência. Galípolo foi indicado por Lula, mas isso não basta: a expectativa era de uma política monetária mais compatível com um governo que defende crescimento, emprego e crédito mais acessível. Nesse aspecto, a frustração manifestada por Boulos é compreensível e representa uma cobrança que já existe dentro do próprio governo.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.