Carnaval 2026
Brasil da Silva, um enredo na Sapucaí para mostrar que o medo foi derrotado
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A voz do povo realmente é a voz de Deus. No caso da narrativa de hoje, a voz é de Morfeu, o deus grego dos sonhos, conhecido por assumir formas humanas nos devaneios alheios. Que tudo aquilo que foi ruim até a condenação do bate-bola do golpismo vire confete para enfeitar o carnaval de 2026. E não será uma folia qualquer. Nada será como antes depois que o Rei Momo entregar as chaves da Marquês de Sapucaí ao novo rei do pedaço. Quem? Quem? Quem? Ele mesmo que você imaginou. É o rei Lula lá.
É aquele que, mesmo falando mal, poucos conseguem viver sem falar dele. Será que posso dizer que quem não gosta dele bom sujeito não é? Claro que posso, mas não devo. Entretanto, aquele que deixa de lembrar de sua vida pública “ou é ruim da cabeça, ou é doente do pé”. Só tenho duas dúvidas em relação ao carnaval do ano que vem: vou para a avenida ou começo a lustrar o título de eleitor para aquela que, dependendo dos futuros candidatos, talvez seja minha última participação eleitoral.
Derradeira ou não, vou providenciar minha fantasia e, em casa, na rua ou no salão, cair na folia até a Quarta-Feira de Cinzas, quando os juízes eleitorais certamente darão nota 10 para todas as propostas de governo do futuro Lula 4. Não se trata de previsão, mas de consulta às pesquisas desses últimos dias. Em uma delas, Lula da Silva venceria todos os oito cenários de primeiro turno e os nove de segundo turno para a eleição presidencial. Ou seja, seria eleito contra tudo e contra todos, inclusive contra Donald Trump.
Dos derrotados Tarcísio de Freitas, Ciro Gomes, Ratinho Junior, Jair Bolsonaro, Romeu Zema, Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, o mais próximo de Lula seria o cearense Ciro Gomes, com sete pontos percentuais a menos. Vale registrar que o que é ruim ficará muito pior quando o carnaval de 2026 chegar. Provavelmente bem antes. Talvez a partir de hoje (21), horas após o lançamento oficial do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil é o tema com o qual a escola niteroiense fará sua estreia na Marquês de Sapucaí. É um samba popular. Sem temer tarifas e sanções, mitos falsos ou anistia, os nove autores da obra lembram a luz de Garanhuns, as 13 noites, os 13 dias e o apoio de Santa Luiz e de São José ao retirante que, da luta sindical, virou uma liderança mundial. Mais do que isso, hoje ele é sinônimo de soberania, é a nação pulsante, cujo sobrenome é Brasil da Silva. Para azar dos que não aceitaram perder e dos indignos que preferiram fugir, a Acadêmicos de Niterói, a terra de Araribóia, é Lula lá.
A ideia da escola é mostrar à Marquês de Sapucaí, ao Brasil, ao mundo globalizado e a Donald Trump que a esperança tem nome e voz rouca, mas forte e firme. Durante o desfile, certamente vai brilhar na avenida do samba a estrela de um país chamado Luiz. Popular como poucos nos últimos anos, o samba assinado, entre outros, por Teresa Cristina, Arlindinho, André Diniz e Fred Camacho, não é apenas mais uma canção revolucionária. É a prova de que o sol ainda há de brilhar para quem tem ideais. A diretoria, o carnavalesco, o enredista, os músicos e os passistas sabem quanto custa a fome e quanto vale a vida. Por isso, em nome da nação, o clamor que ecoa do outro lado da Baía de Guanabara é que, em Niterói, o amor venceu o medo.
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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras