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Viver é lutar

Brasil dos brasileiros não cabe no quintal alheio

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo/José Cruz

Terra do samba, do sol, do futebol e bonito por natureza, o Brasil é dos brasileiros e se escreve com B, de bravo e de bem-aventurado, e tem como sinais evidentes de sua grandeza o S, de Soberania, e o L, de Liberdade. Com sua capacidade de se reinventar e de aprender com a própria história, a Pátria Amada merece respeito interno e externo. Nesse período eleitoreiro em que alguns se distanciam dos Estados Unidos como o Diabo da Cruz e outros pregam a vassalagem explícita, vale lembrar, repetir e refletir sobre uma recente frase atribuída a um dos ministros do atual governo.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Duvidar desta afirmação significa desrespeitar os interesses da população brasileira e, principalmente, os valores que orientam nossa relação com o mundo. O principal deles foi, é e sempre será a soberania. Nada contra o uso empresarial de nosso solo. O que não se admite é perceber algumas das lideranças mundiais avaliando o Brasil como extensão de suas casas ou de seus palácios. Seja de direita ou de esquerda, o presidenciável que verdadeiramente ama o país não entrega sua soberania, tampouco negocia suas riquezas.

Marcado por um povo guerreiro, o Brasil das últimas décadas vem se destacando pela paixão e pelo amor inabalável da maioria de seu povo à soberania nacional e à democracia. Infelizmente, nem todos pensam assim. Por exemplo, os que torcem pelo esfacelamento da nação só são patriotas quando lhe convêm. Quando não, fogem. São minoria entre os 213 milhões de habitantes. Azar da minoria que não se encaixa na máxima de que o melhor do Brasil é o brasileiro, notadamente a maioria que não desiste nunca. Orgulhosamente, eu faço parte do grupo que associa as cores verde e amarelo ao nosso maior bem: a liberdade.

Independentemente de cores partidárias, de nuances ideológicas e de discursos fanaticamente ejaculatórios, politicamente defendo a tese de aquele que não batalha pelo futuro que quer tem de aceitar o futuro que vier. Por isso, torço para que, em qualquer eleição presidencial, vença o candidato com ideias novas e propostas coletivamente palpáveis. Nem sempre ganho, mas não deixo de lutar para evitar que eventuais aventureiros e vendedores de ilusão transformem o Brasil em um país de mentiras, de agressões gratuitas às instituições e de ameaças às pessoas, às leis e até à ciência.

Associados aos brasileiros que têm orgulho de ser brasileiros, mas que moram fora do Brasil, os autointitulados mais patriotas do que os outros podem não gostar, criticar e achar o atual presidente da República sem condições intelectuais, políticas e de governança. É um direito que a democracia confere ao povo. Por isso, a cada quatro anos há uma eleição para medir, aprovar ou rejeitar a gestão dos eleitos. Critiquem, votem contra, mas não esqueçam que, mesmo sem maioria no Congresso e com Donald Trump batendo à nossa porta, ninguém morreu.

Com todo respeito aos contrários, mas, no meu entendimento, governo bom tem de ser baseado no tripé democracia, tolerância e educação. Democracia é o governante estimular e defender que o eleitor possa votar em quem ele quiser. Tolerância é o líder aceitar opiniões adversas e educação. É ele não ofender ninguém. Quanto ao cidadão comum, a principal característica da verdadeira cidadania é o respeito àqueles que votam em candidatos diferentes do nosso. Portanto, não adianta ficar vendo a banda tocando a “A Banda” em frente da varanda. Somente o povo é soberano para decidir quem governa e quem não governa. Este é o melhor julgamento acerca da soberania popular, que é a ideia fundamental da democracia.

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Arimathéia Martins é jornalista

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