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Adeus, hexa

Brasil entra em canoa furada e é engolido pelos vikings de Aegir

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Autor/Imagem:
Marcos Cavalcanti - Foto Getty Image

Aegir é o deus dos nórdicos que domina os mares. E, quando se enfrenta a fúria das ondas em uma canoa furada, não há como reagir. O destino, quase sempre, é o naufrágio. Foi justamente esse o retrato da seleção brasileira neste domingo, 5, ao ser derrotada pela Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O sonho do hexacampeonato terminou diante da eficiência escandinava e da força de Erling Haaland, autor dos dois gols da classificação norueguesa.

Durante boa parte da partida, disputada diante de um estádio lotado, o Brasil teve mais posse de bola, circulou a área adversária e tentou impor seu estilo de jogo. Faltou, porém, aquilo que separa equipes competitivas das verdadeiramente candidatas ao título: objetividade, criatividade e capacidade de transformar domínio territorial em oportunidades claras.

A Noruega, por sua vez, fez exatamente o oposto. Organizada defensivamente, esperou o momento certo para atacar. E encontrou em Haaland o seu protagonista. Aos 34 minutos do segundo tempo, o atacante aproveitou um contra-ataque veloz para abrir o placar. Dez minutos depois, aos 44, voltou a aparecer na área brasileira para ampliar a vantagem e praticamente decretar a eliminação da equipe comandada por Carlo Ancelotti.

Quando tudo parecia definido, o Brasil ainda encontrou um fio de esperança. Após longa revisão do árbitro, a seleção recebeu um pênalti já nos acréscimos. Neymar converteu a cobrança aos 55 minutos — dez dos doze minutos adicionais — diminuindo a diferença. Mas não havia mais tempo para uma reação.

A eliminação expõe problemas que acompanharam a equipe ao longo do torneio. Apesar do talento individual de seus principais jogadores, a seleção mostrou dificuldades para criar contra sistemas defensivos bem organizados, abusou dos cruzamentos e encontrou pouca inspiração no setor ofensivo nos momentos decisivos.

A derrota também representa a consolidação da Noruega como uma das grandes surpresas desta Copa do Mundo. Liderada por Haaland, a seleção escandinava alia força física, disciplina tática e eficiência ofensiva. Sem o peso histórico das grandes campeãs, os noruegueses seguem construindo uma campanha consistente e agora disputarão as quartas de final.

Para o Brasil, resta o sentimento de uma oportunidade desperdiçada. A geração que alimentava a esperança de recolocar a seleção no topo do futebol mundial deixa a competição antes mesmo das quartas de final. Mais uma vez, o hexacampeonato terá de esperar.

A Noruega, por sua vez, continua navegando em águas tranquilas rumo ao sonho inédito do título mundial. O Brasil desembarca antes do previsto, obrigado a rever conceitos, escolhas e o futuro de um projeto que terminou afundado quando a tempestade finalmente chegou.

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