Cinema na crista da onda
Brasil perde o Oscar, mas ganha o respeito do mundo especializado
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Com a torcida organizada por aqueles brasileiros que torcem contra tudo o que é bom para o país, o Brasil não alcançou o alto do pódio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Perdemos as cinco indicações para o Oscar 2026, incluindo as de Melhor Filme e Melhor Ator, respectivamente com O Agente Secreto e Wagner Moura. Entretanto, diferentemente do que noticiaram alguns veículos vinculados ao quanto pior, melhor, o povo com algum tutano e consciência plena não se revoltou com o resultado. Muito pelo contrário.
Não ganhamos nenhuma das estatuetas imaginadas. Todavia, o Brasil, os artistas e aqueles outros brasileiros, a maioria da população, ganharam o respeito do milionário mundo do cinema. Tanto que, após as comemorações de praxe, estávamos nas segundas manchetes e artigos dos grandes jornais e revistas especializadas dos Estados Unidos e da Europa. Não ganhamos, mas O Agente Secreto, o elenco, com destaque para Wagner Moura, e o diretor Kleber Mendonça Filho fizeram história.
Mais do que isso, o longa-metragem retratando parte da ditadura de 1964 ajudou a mostrar ao planeta a força que a cultura brasileira conquistou após quatro anos de estagnação, de negacionismo e de futurologia às avessas. Não é demais lembrar que o Agente Secreto acumulou premiações desde o seu lançamento. Também vale recordar que, antes do Agente Secreto, o Brasil da paz e do amor já havia vencido com o filme Ainda Estou Aqui, vitorioso na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2025.
Ou seja, apesar do biquinho dos “patriotas”, o Brasil está na primeira prateleira do cinema mundial. Sei que, para os incomodados, é lamentável, quase um velório, ver nossos artistas representando a pátria amada na cerimônia do Oscar. Para nosotros, triste é vê-los tristes. O que fazer se eles não se orgulham do país em que vivem? Como dizem os mais práticos, os incomodados que se mudem. Se possível, que aproveitem a ponte que partiu e sumam nos foguetes emprestados por Donald Trump.
Perdemos as estatuetas, mas, repito, estamos na crista da onda cinematográfica. Que babem os recalcados, frustrados e mal-amados. Esses esquecem que a vida tem sempre os dois lados, ambos normalmente com o mesmo quantitativo de caracteres. Por exemplo, os termos ódio e amor têm quatro letras. Mentira e verdade são escritas com seis. Negatividade e positividade têm 12 letras, enquanto mal e bem têm três caracteres.
Consciente da serenidade e da leveza de minhas faculdades mentais, escolhi o lado que convém à maioria. Voltando ao respeito conquistado pelo Brasil e pelo cinema nacional nesta quadra da vida, nada que se assemelhe ao período em que poderíamos ter produzido o melhor filme de todos os tempos: A Volta Dos Que Não Foram. Fica para próxima. Até lá, não custa rememorar que em um passado bem presente quase nos acostumamos às manchetes diárias em revistas como Cães & Gatos, Cobras & Lagartos e o Recruta Zero Zero, todas similares ao momento em que vivíamos.
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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras