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Plantando o futuro

Brasil precisa semear educação com sabedoria e colher com paciência

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Um dos temas mais sensíveis para qualquer ser humano, a educação é o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Não à toa, desde o início de nossa existência, figuras históricas jamais deixaram de avaliar o saber como a forma mais fácil, rápida e barata de mudar o mundo. Para ilustrar a importância do conhecimento sobre a evolução do povo, vale lembrar que, certa feita, o economista britânico Sir Willian Arthur Lewis resolveu seguir o aconselhamento do filósofo grego Pitágoras e sugeriu ao governo do Reino Unido educar as crianças para que não fosse necessário punir os adultos. Alguém precisa fazer o mesmo com os governantes brasileiros.

Mais enfático, o ativista afro-americano Malcom X disse o que repito nesta narrativa: “A educação é nosso passaporte para o futuro, pois o amanhã pertence às pessoas que se preparam hoje”. Mesmo sem ser sábio, parto sempre do pressuposto de que a educação pode até não transformar o mundo, mas certamente muda as pessoas que transformam o mundo. Por isso, faço minhas as palavras de um outro filósofo que parece do nosso tempo, Aristóteles, para quem a educação pode ter raízes amargas, mas seus frutos são doces. Enfim, educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. Desde minha vivência acadêmica e, principalmente, como entusiasta da educação para todos, tenho convicção de que a sapiência não tem preço.

Todavia, o custo de sua falta é bastante alto. Depois de quatro anos jogados no lixo, inegável que há três anos estamos recuperando o tempo perdido. Temos hoje alguns avanços significativos no que diz respeito à infraestrutura, formação de professores, material didático, inovações tecnológicas, entre outros aspectos que favorecem a aprendizagem. Entretanto, os problemas do setor ainda são graves. Em vários estados da Federação, a situação é gravíssima. De acordo com o Censo Escolar de 2022, mais de 1 milhão de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola. Os desafios são muitos. De tão antigos, alguns já foram incorporados às mazelas da sociedade.

Embora sejam do conhecimento de todos, vale listar que, entre tantos, os problemas mais sérios são o acesso à escola, o processo de aprendizagem, o modelo distorcido de formação de professores, a falta de investimentos e o atraso na inovação curricular. Resumindo, vivemos um incômodo e desproposital marasmo educacional. É exatamente esse marasmo o culpado pela ignorância política da maioria dos brasileiros. Faz tempo esquecemos de pensar na educação como prática social que visa ao desenvolvimento do ser humano, de suas potencialidades, habilidades e competências. Instrução é um dever do Estado e direito de todo cidadão.

Infelizmente, entre 70 países avaliados, o Brasil ocupa a 60ª posição no quesito educação. Graças a uma política educacional permanente, Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul, China e Cuba lideram o ranking mundial, todos com níveis inferiores a 0,2% de analfabetos entre a população com 15 anos ou mais. Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, no Brasil ainda é surreal o quantitativo de meninos e meninas fora das salas de aula. Outro dado assustador vem do Ministério da Educação. Conforme a pasta, a taxa de analfabetismo para os homens acima de 15 anos é superior a 6,9%, contra 6,3% para as mulheres da mesma idade.

Não podemos perder a sensatez de observar que educar é semear com sabedoria e colher com paciência. Diante de tantas dificuldades, que pelo menos estejamos atentos à tese de que, se achamos a educação cara, é porque ainda não experimentamos a plenitude da ignorância. Alarmantes, preocupantes e demasiadamente abusivos, os números evidenciam a importância de trabalharmos exaustivamente pela melhoria do conhecimento no Brasil. Lembremos sempre de Arthur Lewis, ganhador do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 1979. Segundo ele, educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido. Um dia a política também se valerá disso.

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