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País imaginário

Brasil vai virar varinha de condão de Trump?

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Vergonha pouca para a recém-iniciada campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República é pura bobagem. De primogênito de um gênio golpista a articulador arrependido do tarifaço imposto por Donald Trump a 213,2 milhões de brasileiros, inclusive ao desbaratinado clã de onde veio. Depois de perceber o tamanho da cavalice que ele mesmo criou contra sua caminhada ao Palácio do Planalto, o moço do extremo medonho, cabuloso e temerário passou a defender o adiamento das tarifas contra o Brasil.

Tarde demais. O desrespeito à soberania, o descaso com a população e o desejo exclusivo e inescrupuloso de chegar ao poder à custa da dor alheia são inesquecíveis. Portanto, o estrago é irreversível. O navio chamado Brasil não vai afundar porque seu casco é robusto e avesso a ataques de feras feridas. Já Flávio Bolsonaro, seu pai e irmãos, os quais trabalharam diretamente em favor do tarifaço, querem fingir agrados ao povo, pois a fragilizada nau bolsonarista está ameaçada de naufrágio.

A rota tabuada da extrema-direita e da direita mais conservadora finalmente provou aos simpatizantes da família que não admite viver longe do poder que nem tudo que reluz representa votos. Muito pelo contrário. O que parecia uma luz no fim do túnel virou breu antes mesmo da primeira curva. Também às voltas com a insatisfação do eleitorado norte-americano, Donald Trump e seus ímpetos imperiais de Donald Trump acabaram gerando mais prejuízos do que benefícios à família que luta desesperadamente para sobreviver politicamente.

Aos poucos, o governo Lula e a população que não admite interferências externas nos negócios internos estão aprendendo a viver sem os Estados Unidos. Embora comprovadamente seja mais complicado, que eles façam o mesmo. Triste, mas só os “patriotas” não querem entender que o objetivo dos bolsonaristas e simpatizantes do caos é destruir tudo o que foi construído ao longo de décadas de lutas e de conscientização popular. Entender eles entendem. O problema é não admitir o quanto são ruins.

O Brasil imaginado pela família Bolsonaro e pelo Centrão não é o país que Lula da Silva vem tentando consolidar. Notoriamente, o desejo do clã é transformar a nação brasileira em instrumento político para Trump usar conforme lhe convier. Lula virou inimigo mortal dos republicanos dos Estados Unidos ao perceber as maquiavélicas intenções do grupo que baba os ovos do líder estadunidense. A falsa química foi descoberta quando o presidente brasileiro viu escorrer do lado direito da boca de Trump o veneno da vaidade totalitária.

O lado bom do Brasil sabe onde brotam as ervas daninhas. Os brasileiros do bem também sabem que, além de sufocar a boa semente, as ervas do mal não têm qualquer cuidado com aquilo que a maioria da sociedade quer ver crescer: a democracia. A imagem negativa do bolsonarismo antevê um fim melancólico e sombrio para os filhos mais radicais do ex-presidente, entre eles o tariFlávio. Interessante é que o desgaste político e pessoal de Flávio Bolsonaro é proporcional ao fortalecimento da liderança de Lula. Isso a Globo já mostrou, mas parece que Trump e seus chegados ainda não viram

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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