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Ouro inédito

Brasileiro prova que tem samba no pé até na neve

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@donairene13 - Foto Divulgação

Neste sábado de carnaval, 14, enquanto os blocos já tomavam as ruas e o país se preparava para mais uma explosão de cores e batuques, o esporte brasileiro escreveu uma página improvável e histórica nas Olimpíadas de Inverno que acontecem na Itália.

Lucas Pinheiro conquistou a medalha de ouro no slalom gigante, prova de esqui alpino disputada em descida sinuosa, com portas espalhadas ao longo do percurso, que exige técnica milimétrica, velocidade e nervos de aço. Para muitos brasileiros, a palavra “slalom” talvez soe distante, quase exótica. E é provável que a maioria sequer tivesse ouvido falar de Lucas até então.

Mas o que importa mesmo é que, naquele instante, o Brasil estava no lugar mais alto do pódio.

Mais do que uma vitória individual, foi um feito continental: a primeira medalha de um sul-americano na história dos Jogos de Inverno. Não era apenas o verde e amarelo que tremulava na neve italiana, era também a celebração de toda a América Latina, acostumada a brilhar no calor das quadras, dos gramados e das pistas tropicais, mas raramente lembrada quando o assunto envolve gelo e montanhas cobertas de branco.

Lucas nasceu na Noruega, país tradicional nos esportes de inverno, mas é filho de mãe brasileira. É, portanto, brasileiro nato. E foi como brasileiro que subiu ao pódio. Foi lindo ver a bandeira do Brasil no topo, ouvir o hino ecoando em meio ao frio europeu e, como não poderia deixar de ser, assistir ao improviso de um sambinha para celebrar. Carnaval na neve. Brasilidade em temperatura negativa.

Enquanto muitos ainda tentavam entender as regras do slalom gigante, o país já tinha um motivo concreto para sorrir. Em tempos em que há quem insista em diminuir o Brasil, chamando-o pejorativamente de “bostil”, a imagem de um brasileiro no ponto mais alto do esporte mundial de inverno funciona como resposta silenciosa e poderosa.

Deve ter sido um sábado difícil para quem torce contra o próprio país.

Para o resto de nós, foi um sábado de orgulho, de festa, de samba e de história.

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