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Gente de paz

Brasileiro, soberano, quer Tio Sam distante

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Encerrada com o vexame da Argentina dentro e fora das quatro linhas, a Copa do Mundo terminou com mais um fracasso do futebol do Brasil, o sexto consecutivo. Águas passadas? Temporariamente, pois, teoricamente, o calendário esportivo dará lugar às paixões eleitorais. Certo? Apenas pela metade, considerando que, de um lado, há a realidade, enquanto do outro o que existe é uma desagradável expectativa de caos. No tabuleiro político do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegue mexer democraticamente todas as peças.

O mesmo não ocorre com a extrema-direita, cujos membros cada vez mais se apegam às manobras de Donald Trump para varrer o Brasil do mapa da democracia mundial. Liderados pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo filho candidato trabalhou – e trabalha – diretamente para concretizar o tarifaço contra o povo e o empresariado brasileiro, os extremistas vivem da radicalização e da repetição artificial dos discursos contra Lula. Fazem isso porque não têm propostas e nem ideias para apresentar ao eleitorado.

Seja de direita, esquerda ou do meio campo recuado, não há um só brasileiro sério e honrado capaz de apontar uma justificativa econômica para o tariFlávio imposto pelo governo de Donald Trump, a pedido do descompromissado senador Flávio Bolsonaro. Essencialmente política, a motivação da decisão tem nome, CPF e impressão digital. Liderando todas as pesquisas eleitorais, Lula é o candidato a ser batido na arena demagógica, seletiva e cruel da extrema-direita. Queiram ou não, Luiz Inácio é ruim para os “patriotas”, mas muito bom para os brasileiros.

Tanto que, além de defender a democracia até debaixo d’água, ele não abre mão da paz, da soberania e da independência do país. Já Flávio Bolsonaro passa recibo de sua incompetência e submissão ao acenar para Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, com a possibilidade de, caso seja eleito, criar uma equipe de transição entre seu eventual governo e a Casa Branca. Na prática, isso significa um governo soberano receber demandas e opiniões de uma nação estrangeira. Preocupado com a disputa entre expectativa e realidade, o que o povo brasileiro mais quer é distância dos EUA.

Mal comparando, viveríamos a repetição do governo dos generais, período em que o que era mais ou menos para os Estados Unidos era ótimo para o Brasil. Antes mesmo da redemocratização, os chefes militares descobriram que eles nunca foram e jamais seriam considerados iguais pelos norte-americanos. Como Deus não deu asas às cobras, essa me parece uma hipótese fadada ao retumbante fracasso. No entanto, Marco Rubio não esconde que a vitória de um Bolsonaro faz parte dos sonhos do chefe da Casa Branca.

Incompetente até compreensão dos soluços de um mito que já morreu, os extremistas da direita vivem em função do jogo sujo de Donald Trump. Para quem não consegue sequer passar para seu povo a imagem de defensor da pátria, a inverosímil tarefa de pacificar e livrar o Brasil do “jugo” da esquerda é, além de inábil, mentirosa e pífia como argumento capaz de convencer um menino do Maternal II. Imagine os esclarecidos. Na atualidade, a paixão política está dividida entre a multidão que morre de medo da volta dos farofeiros golpistas e o punhado de “patriotas” loucos falando e fazendo enormidades contra o país e seu povo. Tomara que, em outubro, a vitória seja dos patriotas sérios.

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