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Debate na Band

BRB vira munição contra Celina e domina o duelo pelo Buriti

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto Divulgação

O Banco de Brasília entrou definitivamente na campanha eleitoral. No primeiro grande debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal, promovido pela Band na noite de domingo (9), a crise envolvendo o BRB e suas operações com o Banco Master transformou-se na principal arma dos adversários contra a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição.

Celina, que mantém uma vantagem nas pesquisas diante dos seus adversários, foi o alvo preferencial durante boa parte do encontro. Além dela, participaram do debate José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

Embora saúde, educação, transporte e situação fiscal do Distrito Federal também tenham aparecido nas discussões, foi o BRB que elevou a temperatura do confronto.

A estratégia dos adversários ficou evidente, ao tentar atribuir a Celina a responsabilidade política pela crise do banco, ainda que as operações que colocaram a instituição no centro da turbulência tenham origem no governo de Ibaneis Rocha, período em que ela ocupava a Vice-Governadoria.

Celina, portanto, procurou estabelecer essa linha divisória. Ao ser confrontada sobre as operações envolvendo BRB e Master, ela afirmou que não participou das decisões e que era contrária à operação. Ao mesmo tempo, reconheceu que, como atual governadora, passou a ter a responsabilidade de encontrar uma saída para o banco.

“Eu não participei, fui contrária à época. Mas, como responsável agora como governadora, eu tenho que realmente resolver o problema do banco. E a minha ação nunca foi cruzar os braços”, afirmou.

Politicamente, a defesa procura construir uma fronteira entre o governo que Celina herdou e aquele que pretende apresentar ao eleitor para os próximos quatro anos.

Leandro Grass e Ricardo Cappelli adotaram estratégia semelhante no confronto com a governadora. Os dois candidatos pertencem ao campo político que sustenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aproveitaram o debate para cobrar explicações da chefe do Executivo local sobre a situação financeira do Distrito Federal e, principalmente, sobre o BRB.

Na prática, funcionaram em determinados momentos como uma dobradinha contra a candidata do PP. Celina reagiu procurando levar o confronto para o terreno político. A governadora sustentou que seus adversários ligados ao Palácio do Planalto pretendem transformar a crise do BRB em instrumento eleitoral e apresentou-se como responsável por tentar resolver um problema que teria recebido da administração anterior.

A discussão antecipa um dos embates mais delicados da campanha, que é definir perante o eleitorado quem deverá carregar a conta política do caso Master.

Para a oposição, Celina não pode se dissociar completamente do governo Ibaneis porque foi vice-governadora. Para a candidata à reeleição, as decisões questionadas não passaram por ela e sua responsabilidade começou efetivamente quando assumiu o comando do Palácio do Buriti. Essa disputa de narrativas provavelmente acompanhará toda a campanha.

José Roberto Arruda também esteve no centro de alguns dos momentos mais tensos. O ex-governador tenta recuperar espaço político enquanto enfrenta questionamentos judiciais sobre sua elegibilidade. Celina explorou justamente o histórico judicial do adversário durante o confronto.

Arruda, por sua vez, buscou defender seu legado administrativo e apresentar-se novamente como alternativa ao grupo que atualmente controla o Palácio do Buriti. Sua presença tem peso especial porque as pesquisas mostram que ele continua sendo o adversário numericamente mais próximo da governadora.

Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em julho apontou Celina com 34,6% das intenções de voto, contra 28,1% de Arruda. Grass aparecia com 11,9%, seguido por Cappelli, com 4,5%; Paula, com 3,6%; e Caputo, com 1,3%. Sem Arruda no cenário pesquisado, Celina saltava para 45,9%.

Os números ajudam a explicar por que o debate teve a governadora como centro gravitacional, uma vez que quem pretende crescer precisa, necessariamente, retirar votos ou aumentar a rejeição da candidata que começa a disputa na liderança.

Por sua vez, Paula Belmonte e Kiko Caputo procuraram ocupar espaço diferente na arena. Paula tentou apresentar-se como alternativa aos grupos políticos que polarizam a disputa no Distrito Federal, enquanto Caputo reforçou o discurso de renovação associado ao Novo.

Para ambos, o desafio é semelhante, na esperança de transformar conhecimento político e exposição nos debates em intenção de voto. O confronto da Band mostrou que existe espaço para essa tentativa. Enquanto Celina, Arruda e os candidatos vinculados à base de Lula trocam acusações, Paula e Caputo podem tentar conversar com o eleitor que rejeita os dois polos. Contudo, precisarão converter discurso em musculatura eleitoral.

O saldo político da noite, porém, ficou concentrado no BRB. A instituição, durante décadas apresentada pelos governos locais como patrimônio econômico de Brasília, tornou-se uma variável eleitoral capaz de influenciar diretamente a sucessão no Palácio do Buriti. A oposição, bem como Celina, já perceberam essa vulnerabilidade.

Por isso, mais do que discutir quem autorizou determinada operação ou em qual gabinete nasceu determinada decisão, a campanha deverá travar uma batalha pela memória do eleitor. Grass e Cappelli tentarão convencer Brasília de que Celina fazia parte do governo quando o problema foi construído. Enquanto isso, Celina tentará demonstrar exatamente o contrário, ou seja, recebeu a crise pronta e assumiu a missão de impedir que o BRB pague a conta deixada por decisões anteriores.

O debate da Band revelou que essa discussão está apenas começando. Ao mesmo tempo, mostrou algo ainda mais importante – na corrida pelo Buriti, o Banco de Brasília deixou de ser apenas uma questão financeira para virar questão de urna.

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