Ângulos
Brilho no olhar
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Cresci ouvindo histórias, talvez por isso eu tenha aprendido a observar o que há por detrás das palavras.
Gosto das pessoas e ao ouvir suas palavras eu observo o que há além do que foi dito.
No entanto, ouso dizer que, por um temp,o me vi desacreditada da sociedade, a sensação que eu tinha era que todos estavam escondendo algo, e claro, não ingênua de acreditar que as pessos se revelam por inteiro, muitas vezes são para sua própria proteção, vergonha ou sim por maldade.
Talvez fosse eu quem não estivesse bem, gosto da frase.
“Não vemos o mundo como ele é, vemos o mundo como nós somos,” da escritora Anais Nin.
Carrego comigo, nos meus cadernos e agenda, pois sempre que me vejo muito crítica ou desacreditada do mundo, das pessoas ou da vida me lembro:
Talvez eu esteja com problemas, talvez eu esteja vendo o mundo pela janela errada.
Durante esse período de descrença algo me incomodava profundamente, eu não via nas pessoas a minha volta aquele brilho no olhar, a vida parecia ter esfriado.
Acordei cedo, de madrugada para ser exata, disposta a ver um belo nascer do sol na montanha,
Na agenda a frase me lembrou de olhar o mundo através de outros olhos, com meu lado otimista.
Me encantava ao ver os colegas tirando fotos de teia de aranha com gotículas de agua e dizer:
— Olha que lindo!
Ou… uma folha comum, que para alguns não era nada comum.
— Olha que folha linda! Que tom de verde maravilhoso.
Naquele momento tive certeza, eu estava olhando o mundo com os olhos errado, o problema não era o mundo, era eu.
Me comprometi a reeducar meu olhar e a buscar o que havia de errado em mim, não era todas as areas, e sim as pessoas.
Pouco a pouco voltei a observar o que havia por detrás dos seus sorrisos tristes, o que não foi dito nas suas histórias de vida e pouco a pouco voltei a me reconectar.
Pouco a pouco volto a me encantar com as pessoas e num desses dias maravilhosos uma pessoa cruza meu caminho, não há muitas histórias felizes, mas insiste em dizer que não há histórias tristes.
Lembrando das minhas histórias de infância e ouvir o que não foi dito, havia algo interessante e até contraditório ali.
Durante alguns meses as conversas não faziam tanto sentido, eu a olhava tentando decifrar, sei que suas dores são profundas embora ela não diga, mas sei muito pouco sobre ela, por isso passei a observar sua vida, rotina, seus gostos.
Ontem ela me trouxe de volta ao olhar belo que devo direcionar ao mundo, era um assunto corriqueiro, mas no meio da conversa eu olhei em seus olhos e vi aquele brilho no olhar que eu havia desacreditado.
Ainda existem pessoas com brilho no olhar, basta eu olhar com meu brilho.
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“Apaixonada pela vida em todas as suas formas! Mãe, avó, artesã do crochê e escritora por vocação. Encontro inspiração na natureza e tranquilidade nas trilhas da montanha. Palavras e linhas são minhas ferramentas para criar e compartilhar amor.”
Autora de três livros publicados, colunista e integrante de uma comunidade literária.
Atualmente reside em Cachoeiro de Itapemirim-ES.